CEOs com perspectivas sombrias para a economia global

Cerca de metade (48%) dos 1258 CEOs entrevistados em todo o mundo acredita que a economia global vai continuar a cair nos próximos 12 meses, segundo revela o 15º Annual Global CEO Survey, lançado pela PwC no Fórum Económico Mundial de Davos, na Suíça. A pesquisa revela também que apenas 15% dos inquiridos acredita que a economia global irá melhorar durante 2012.

O estudo da PwC demonstra que os gestores mundiais aprenderam a lidar com os actuais desafios do mercado, uma vez que o número dos que dizem estar confiantes no crescimento dos seus negócios é três vezes maior do que o número de gestores que dizem acreditar no crescimento da economia global.

De acordo com a PwC, 40% dos CEOs afirmam estar “muito confiantes” no crescimento das receitas das suas empresas nos próximos 12 meses, comparativamente aos 48% registados no inquérito do ano passado (embora este valor esteja acima da percentagem de gestores “muito confiantes” em 2010 – 31%).

Além disso, mais de metade dos CEOs em todo o mundo espera aumentar o número de colaboradores nos próximos 12 meses, embora este cenário dependa do sector, sendo muito mais provável ocorrerem novas contratações no sector de entretenimento e media.

Sem surpresa, a maior quebra na confiança foi verificada nos CEOs da Europa Ocidental. Afectados pela crise da dívida soberana, apenas um quarto dos gestores europeus afirma estar “muito confiante” no crescimento da receita, percentagem muito inferior aos 40% verificados no ano passado. A confiança a curto prazo também diminuiu entre os gestores da Ásia Pacífico, onde a confiança caiu para os 42%, comparativamente aos 54% registados no ano passado. A China foi o país da Ásia-Pacífico com a maior quebra na confiança dos gestores (51% dos CEOs sente-se “muito confiante”, comparativamente com 72% no ano passado).

O estudo da PwC demonstra também uma queda acentuada na confiança dos gestores na Índia, com apenas 55% dos CEOs a afirmarem estar “muito confiantes” no crescimento da receita (comparativamente aos 88% registados no ano passado). Nos EUA, 41% dos gestores afirmam que estão “muito confiantes” no crescimento a curto prazo, face aos 45% do ano passado. Na África, 57%  
dos CEOs inquiridos afirma estar “muito confiante”, comparativamente aos 50% dos gestores que esperava um crescimento no ano passado.

No que diz respeito ao que mais preocupa os líderes mundiais, 80% dos inquiridos revela alguma preocupação com a incerteza económica, 64% refere a instabilidade do mercado de capitais, 66% aponta as medidas dos governos em relação ao défice público e aos encargos com a dívida, 58% indica a volatilidade cambial e 56% está preocupada com o excesso de regulação. Embora 56% dos gestores admita que o seu negócio foi financeiramente afectado pela crise da dívida soberana na Europa, 45% afirma ter tomado medidas de resposta a essa crise.

De acordo com José Alves, Territory Senior Partner da PwC Portugal:
“A confiança dos CEOs foi decididamente afectada pelo modo como lidam com a recessão. O nosso estudo demonstra que os líderes mundiais estão decepcionados com o desenrolar da economia mundial e com o ritmo de recuperação. O optimismo que se tinha vindo a construir com cautela desde 2008 começou a diminuir".

“A crise da dívida europeia, juntamente com outras incertezas económicas, tem diminuído a confiança dos líderes mundiais no crescimento dos negócios em todo o mundo. Mesmo as economias de crescimento rápido, como a Ásia e a América Latina, não estão imunes à realidade de estagnação económica. Os CEOs em todo o mundo estão preocupados com a saúde da economia global.”

“A boa notícia é que, neste contexto, os gestores aprenderam a gerir os seus negócios de uma forma mais eficiente. Os líderes mundiais estão agora mais preparados para lidar com uma economia definida pela volatilidade dos mercados globais, pela fraca procura das economias desenvolvidas e pela incerteza dos mercados emergentes. Muitos gestores estão de facto confiantes no crescimento das suas receitas, apesar da difícil situação.”

A confiança de longo prazo dos CEOs também diminuiu - 46% afirma estar “muito confiante” nas perspectivas de crescimento nos próximos três anos, uma quebra de cinco pontos percentuais relativamente ao ano passado. Os gestores da Europa Ocidental e América Latina são os menos confiantes a longo prazo, em oposição aos 54% dos gestores norte-americanos que está “muito confiante” no crescimento a longo prazo.
Oportunidades de crescimento.

De acordo com os líderes mundiais inquiridos, as melhores oportunidades estratégicas de crescimento nos próximos 12 meses virão do aumento da participação nos mercados existentes e do desenvolvimento de novos produtos e serviços, ambos citados por quase um terço dos entrevistados.

A entrada em novos mercados foi citada por 18% dos gestores e as joint ventures e alianças foram referidas por 10%, seguidas pelas estratégias de crescimento. O número de CEOs que planeiam fusões e aquisições permanece relativamente baixo, com fracas perspectivas de recuperação.

Os mercados emergentes continuam a representar uma oportunidade estratégica de crescimento para os gestores mundiais. Globalmente, 59% dos CEOs concordam que os mercados emergentes foram mais importantes para o futuro da sua empresa do que as economias desenvolvidas. Quase metade dos gestores das nações desenvolvidas afirmou que os mercados emergentes foram extremamente importantes para o seu futuro. Os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) estão no topo das escolhas dos gestores, seguidos pelos EUA e pela Alemanha. Quando se pediu para seleccionar os três países mais importantes para o crescimento dos seus negócios, os CEOs apontaram mais de 60 países diferentes.

De acordo com a PwC, 70% dos CEOs pretende fazer alterações na sua estratégia de negócio nos próximos 12 meses, impulsionadas principalmente pela procura dos clientes e pelas condições económicas. A redução de custos continua a ser uma prioridade para os CEOs, embora em declínio (76% admite ter cortado nos custos nos últimos 12 meses, um valor inferior ao registado no ano passado – 84%). 66% dos líderes mundiais afirma que vai cortar nos custos nos próximos 12 meses.

O desafio do talento
Encontrar e reter talento continua a ser uma das principais preocupações para os CEOs. Apenas 30% dos gestores afirma estar "muito confiante" de que terão acesso ao talento necessário para executar a estratégia de sua empresa e 43% admite que se tornou mais difícil a contratação de trabalhadores na sua indústria. O recrutamento e retenção de managers com alto potencial é o maior desafio de talento, seguido pela contratação de funcionários qualificados e mais jovens.

Este desafio surge em todos os sectores de actividade, mesmo naqueles com diferentes necessidades de talentos, tais como o sector industrial e produtos farmacêuticos.

Apesar da estagnação da economia, as empresas estão a preparar-se para recrutar colaboradores. Mais da metade dos gestores mundiais afirmam ter aumentado o número de funcionários na sua organização nos últimos 12 meses e praticamente a mesma percentagem espera continuar a contratar. Os CEOs do Médio Oriente e África, seguidos pelos CEOs da América do Norte, relataram aumentos no número de colaboradores contratados nos últimos 12 meses, enquanto os CEOs na Ásia afirmaram ser mais provável aumentar o número de postos de trabalho no próximo ano. Apenas 18% dos líderes inquiridos espera reduzir a sua força de trabalho no próximo ano, abaixo dos 23% que admitiu ter feito cortes nos últimos 12 meses.

A escassez de talentos também foi citada por 53% dos CEOs como uma ameaça ao crescimento. A disponibilidade de competências é vista como uma das principais preocupações em todas as regiões geográficas fora da Europa. Os líderes citam ainda outras ameaças ao crescimento, tais como o potencial aumento de impostos (55%), a alteração nos padrões de gastos e no comportamento do consumidor (50%), os custos de energia (46%), a incapacidade de financiamento (40%), os novos operadores no mercado (38%), a segurança na cadeia de fornecimento (34%) e inadequação das infra-estruturas (30%).

Três quartos dos líderes globais salientam que vão fazer alterações nas suas estratégias de gestão de talento durante os próximos 12 meses, colocando este tema no topo da agenda dos gestores pelo segundo ano consecutivo.

Quase 70% dos CEOs afirmou que gostariam de poder gastar mais do seu próprio tempo no desenvolvimento de estratégias de liderança e de gestão talentos na sua empresa, colocando este assunto como a sua segunda prioridade, seguida de perto pelas reuniões com clientes. Outras prioridades dos gestores são melhorar a eficiência da sua organização (62%) e definir estratégias de gestão de risco (54%).

José Alves refere que:
“É irónico que, com estas dificuldades económicas, a escassez de talento tenha um impacto tão significativo na forma como as empresas fazem negócios. Os CEOs reconhecem que estão a ter dificuldade em detectar e reter pessoas qualificadas nos seus sectores. O problema deverá tornar-se ainda mais preocupante com a mudança global nos padrões demográficos. "