O imperativo da inovação

"As empresas portuguesas têm, hoje em dia, uma melhor perceção das vantagens que advêm de introduzir inovação nos seus negócios. Existe uma maior compreensão de que o tamanho do prémio para os mais inovadores é enorme vejam-se os exemplos da Apple, da Amazon, da Google. Contudo, parece que ainda nos falta entender melhor que o tamanho das perdas para os que não apostam em inovação é proporcional, porque, apesar de se falar muito em inovação neste país, poucos ainda a fazem acontecer de forma efetiva.

Os resultados do "Global lnnovation Survey", conduzido pela PwC este ano, mostram que os executivos das empresas nacionais estão alinhados com os líderes mundiais em termos de atitude e importância atribuída à inovação, mas não em termos de objetivos alcançados e retorno de investimento.

Embora estes resultados não nos surpreendam, não deixam de incomodar. O retrato português, traçado por autoavaliação, é o de um país com empresas com apetite e capacidades para inovar, geridas por executivos interessados nos benefícios da inovação. Mas Portugal continua ainda a ficar aquém das próprias expectativas. Chega-se à conclusão que apesar de existir uma cultura de inovação na maioria das empresas portuguesas, essa cultura falha logo no momento da estruturação e planeamento, fase muitas vezes subestimada pelos executivos nacionais inquiridos.

É preciso ir mais longe para alavancar a inovação nas empresas portuguesas que agora estão em contenção e redução de custos, para que regressem, rapidamente e de forma sustentável, ao crescimento. Para tal, a inovação tem de começar a ser vista como uma atividade disciplinada, planeada e gerida, ao invés de uma consequência do acaso, ou não seja essa disciplina que capacita os mais inovadores para que levem novas ideias ao mercado de forma rápida e escalável.

As empresas têm de cultivar a inovação ininterruptamente. É preciso que nos movamos ao ritmo dos mercados globais, que abramos portas à colaboração estratégica e tenhamos coragem de falhar, abandonar as falhas rapidamente, aprender com a experiência, e avançar para outras oportunidades.

A inovação tem de efetivamente ser uma atitude permanente até se transformar no ADN das nossas empresas."

José Alves
Presidente da PwC

In Expresso, 16-11-13