Empresas Europeias subestimam esforço e impacto necessários para o cumprimento dos prazos finais da SEPA

As empresas na Europa subestimam o âmbito e o esforço para cumprir com os requisitos de um espaço único de pagamentos em euros (SEPA), até 1 de Fevereiro de 2014. Respostas a um inquérito recente da PwC sugerem que 55% das organizações estão em risco de não cumprir com o deadline da SEPA, já no próximo mês de fevereiro. Apesar destes resultados, o processo de harmonização em Portugal está mais avançado.

SEPA (Single Euro Payments Area / Área Única de Pagamentos em Euros)

Ainda com um ano até à integração dos mercados de pagamentos na Europa, a PwC inquiriu 293 executivos sobre a capacidade das suas organizações para a implementação de um mercado de pagamentos integrados na Europa.

Aparentemente, para muitas organizações, há ainda muito trabalho a ser feito e existe um desconhecimento sobre a dimensão do esforço necessário.

As principais conclusões do survey, ‘SEPA Readiness Thermometer - State of play with one year to go’, incluem:

  • 21.6% dos inquiridos ainda têm que definir e planear as suas atividades para a SEPA;
  • Poucas organizações têm um âmbito definido – por exemplo, menos de 30% dos inquiridos têm revistos e atualizados os dados “mestre” da sua esfera de atuação e menos de 20% envolvem RH, departamentos jurídicos e de vendas nos seus projetos. Estas estatísticas são ainda piores para aquelas organizações que ainda precisam de planear e definir as suas atividades para a convergência com a SEPA;
  • 43.5% dos inquiridos que planearam as suas atividades esperam concluir os seus projetos “com alguma dificuldade”, perto do prazo final de 1 de Fevereiro de 2014;
  • 43% dos inquiridos não tem a certeza de que a maioria dos seus clientes esteja pronta para a SEPA em tempo útil;
  • 92% dos inquiridos mencionam a disponibilidade e adequabilidade dos seus sistemas como a sua principal preocupação.

“Todos os resultados combinados levam-nos a crer que cerca de 55% das organizações irão falhar ou estão em risco de falhar a meta estipulada de 1 de Fevereiro de 2014”, de acordo com Rodrigo Lourenço, Partner de “treasury advisory” na PwC Portugal. “Sem um maior foco e esforço, as empresas e todos os stakeholders envolvidos, devem estar preparados para um grande sobressalto no processamento de pagamentos no período imediatamente após 1 de Fevereiro de 2014”.

“As empresas não se devem concentrar apenas na sua disponibilidade, mas também compreender o esforço de adequabilidade e disponibilidade dos seus clientes e fornecedores. Se no dia 3 de fevereiro de 2014 as empresas não estiverem preparadas, irão provavelmente ter dificuldades em pagar as faturas devidas. Ao mesmo tempo, os fornecedores que não estiverem aptos poderão ter sérios problemas com a sua cadeia de valor. Acreditamos que todas as empresas e todos os interessados devem estar preparados para o pior dos cenários e ter um plano de contingência”, concluiu Rodrigo Lourenço.

Pode encontrar o relatório completo “SEPA Readiness Thermometer - State of play with one year to go”, em “Research and insights” no site pwc.com/corporatetreasurysolutions ou clicando aqui.

SEPA: Single Euro Payment Area

Segundo a definição do Banco de Portugal, a SEPA é um espaço em que consumidores, empresas e outros agentes económicos poderão efetuar e receber pagamentos em euros, tanto entre países, como dentro dos mesmos, sob as mesmas condições, direitos e obrigações básicas, independentemente da sua localização. O projeto SEPA representa um importante passo no sentido de uma maior integração europeia. A SEPA permitirá aos clientes fazerem pagamentos em moeda escritural a qualquer beneficiário localizado em qualquer ponto da área do euro, utilizando uma única conta bancária e um único conjunto de instrumentos de pagamento. Esta meta de 2014 põe fim a uma era de infraestruturas de pagamentos duplo entre bancos e câmaras de compensação, que começou a 28 de janeiro de 2008, quando as primeiras transferências a crédito SEPA foram processadas. Mas enquanto a era iniciada a 28 de janeiro de 2008 foi importante para a indústria de pagamentos, teve pouco impacto para as empresas e consumidores.

Após 1 de fevereiro de 2014 será diferente. A partir desse dia, as operações de compensação nacional dentro de estados membros da UE – mais de 90% de todas as transações na Europa – terão de ser fornecidas aos bancos em formato SEPA. Isto significa que as operações já não serão processadas automaticamente quando os BBAN (Basic Bank Account Numbers) e os números compensação ou códigos de filiais forem fornecidos. Em vez disso, o devedor terá que fornecer o IBAN e muitas vezes também o BIC.

A SEPA também fornece um padrão comum para a “gestão do mandato de débito direto”, que a partir de 1 de fevereiro de 2014 será obrigatório para operações locais de débito direto. Os formatos de arquivo locais tornar-se-ão obsoletos ou, na melhor das hipóteses, terão de ser atualizados para capturar os elementos de dados novos.

Apesar de ser um grande marco, 1 de fevereiro de 2014 não completa o Mercado Europeu Comum de Pagamentos. Foi concedida uma isenção à maioria dos Estados membros para um ou mais produtos de pagamento eletrónicos locais, que não sejam compatíveis com os padrões atuais da SEPA para Transferência de Crédito (SCT) ou Débito Direto (SDD). Nos próximos anos, esses produtos isentos serão substituídos por um sistema SEPA compatível.