PwC diz que regras europeias vão encarecer auditorias

Jorge Costa, Partner da PwC, diz que as regras para limitar as Big Four vão diminuir a concorrência no sector.

As novas regras europeias para o sector da auditoria, que visam limitar o poder das chamadas Big Four do sector - Deloitte, PwC, KPMG e EY - arrisca-se a ter o efeito inverso do pretendido, com uma diminuição da concorrência e uma subida generalizada dos preços dos serviços de auditoria e consultoria. O alerta foi deixado por Jorge Costa, Partner da PwC, em declarações ao Económico.

“O alargamento dos serviços que os auditores não podem prestar aos seus clientes vai levar a que as auditoras possam vir a recusar clientes por lhes ser mais vantajoso prestar os outros serviços”, disse. O partner da PwC vincou que “deverá levar ao aumento dos preços, tanto da auditoria como dos próprios serviços de consultoria”. Tal como as restantes auditoras do quarteto das Big Four, a PwC tem criticado as novas regras, que visam reformar um sector acusado de co-responsabilidade na crise financeira que rebentou em 2007.

Entre as medidas previstas no regulamento europeu, estão a proibição das cláusulas de exclusividade "Big Four Only", a obrigatoriedade de escolha dos auditores das empresas por concurso no final de um período de dez anos e incentivos (ainda não especificados) para contratar duas firmas de auditoria em vez de apenas uma.

As novas regras estipulam ainda que as receitas de serviços alheios à auditoria - como consultoria, assessoria fiscal e assessoria financeira, entre outras não podem superar 70% do total de volume de negócios e proíbem a prestação de determinados serviços de consultoria fiscal às empresas auditadas. No entanto, os governos terão margem de manobra, podendo definir os prazos de rotação de auditores e determinar os serviços de consultoria que ficarão vedados. “Tenho a esperança de que o Governo vai adoptar uma solução que limite o impacto negativo nas empresas”, disse.

Saída de 24 quadros sem impacto no negócio da PwC

Questionado sobre o impacto da recente saída de cinco sócios da PwC para a rival KPMG, que abriu uma polémica inédita no sector, Jorge Costa frisou que os partners em questão “já foram substituídos” e que a PwC não tem indicações de que haja perda de clientes ou que o volume de negócios seja afectado seriamente pela saída do grupo liderado por Nasser Sattar. “Em 2014, esperamos facturar mais ou menos o mesmo que em 2013 na auditoria. Na consultoria esperamos "crescer", frisou, lembrando a importância crescente do mercado angolano.

“Com os cinco sócios – que já foram substituídos – saíram apenas 24 pessoas da PwC e não mais de 40, como se disse”, acrescentou. E concluiu: “Quer melhor exemplo do que esse [a saída de auditores para outras firmas] para mostrar como essas regras europeias [de obrigar à rotação de auditores] não fazem sentido?”

In Diário Económico, 10 de fevereiro de 2014