PwC cede 10 mil horas de consultoria gratuita a start-ups

A PricewaterhouseCoopers quer apoiar as start-ups portuguesas. Para isso, vai disponibilizar dez mil horas em serviços, o que representa um milhão de euros (valor estimado para esse número de horas, de acordo com a consultora), em várias áreas para os empreendedores nacionais. A ideia partiu de um colaborador da empresa.

“Temos noutro país uma [iniciativa] parecida, e o nosso colaborador achou que [o modelo] poderia ser adaptado a Portugal e falou-me na ideia. Achei que a ideia tinha pernas para andar, falei na PwC internamente”. pois a iniciativa ”pressupõe que seja disponibilizado um determinado número de pessoas”, e “estamos a trabalhar para lançar o site”’, afirmou ao Negócios António Correia, Partner da PwC.

O objectivo é dar apoio gratuito a start-ups portuguesas em várias áreas em que a empresa opera. António Correia aponta que estas empresas podem receber ajuda em “contabilidade, na elaboração de um ‘business plan’, na análise sobre quais são os incentivos que a empresa poderá solicitar ao Estado português, à Comissão Europeia ou ao QREN”. Áreas em que, por vezes, os empreendedores podem ter mais dificuldades.

Para isso, a PwC espera, até ao final deste mês, lançar um site onde estarão presentes contactos de “quatro ou cinco pessoas no Porto e em Lisboa” que trabalham na consultora e que integram a equipa que vai apoiar estas empresas. “Gostaríamos de o fazer [lançar a página até ao final de Maio] e começar a dar os primeiros apoios no final do mês ou, no limite, no início de Junho”. As questões das start-ups podem ser esclarecidas via telefone ou, caso se justifique, através de reuniões presenciais, precisou.

PwC e as Incubadoras

Por questões organizacionais, a PwC vai privilegiar as empresas que estejam presentes em incubadoras e aceleradoras de start-ups. “O que queremos fazer é ter um cabaz de entidades que estejam ligadas à PwC” como “a UpTec na Universidade do Porto, a lnvest Braga que está também ligada à Universidade do Minho, em Aveiro e, eventualmente, a Startup Lisboa”, conta o responsável, esclarecendo que os contactos com estes organismos já arrancou.

“As conversas foram iniciadas, mas não foram formalizadas. Só serão formalizadas quando tivermos o site para fazer a ligação às incubadoras. Todos estão muito interessados nisso”, acrescentou. No entanto, as start-ups que não estiverem presentes nestes “ninhos” não ficam forçosamente de fora deste apoio. As empresas que contactem a consultora solicitando apoio, “mesmo não estando associadas directamente a tais incubadoras, olharemos casuisticamente para estas e veremos que tipo de apoio podermos dar”, esclarece António Correia. “Não queremos é fazê-lo de uma forma arbitrária”, acrescentou.

Perguntas a António Correia, Partner PwC

“A ideia do apoio foi de um colaborador”
Como é que surgiu esta ideia? 

A ideia foi de um colaborador. Achei que a ideia tinha pernas para andar, falei na PwC internamente, porque a iniciativa pressupõe que seja disponibilizado um determinado número de pessoas para apoiar start-ups naquilo que, imagino, um empreendedor não saiba. Ou seja, se há ou não incentivos que o Estado português, a Comissão Europeia ou outro organismo lhe possa atribuir, o que é que tem de fazer para criar um negocio, que tipo de empresa deve constituir.
O apoio pode ser apenas uma ideia do que têm de fazer para criar a empresa, como é que têm de a constituir, onde devem dirigir-se, se têm ou não de ter contabilidade organizada, etc. Como podem, dependendo da empresa e do que nos parecer ser a vontade dos empreendedores, ter um apoio eventualmente mais concreto na ajuda à elaboração do próprio “business plan” ou naquilo que venham a solicitar e que possamos dar dentro de um cabaz que. estamos a prever, atinja as 10 mil horas num determinado período, daí a referência a um milhão de euros de investimento.

Quando é que lançam o site? 
A nossa ideia é que até ao final de Maio haja o site com as várias entidades que passaram a ser associadas. E que essas incubadoras ou aceleradores de start-ups comecem a poder pedir esse apoio e nós começarmos a dá-lo, Estamos já em fase de constituir o site. de começar a ter o protocolo sobre o apoio que iremos dar. As conversas foram iniciadas não foram formalizadas. Só serão formalizadas quando tivermos o site para de facto fazer a ligação às incubadoras. Todos estão muito interessados nisso.

In Jornal de Negócios. 05 de maio de 2014