É preciso paixão pelo que se faz

Só com paixão se consegue avançar, ser criativo, ter a persistência necessária para superar as dificuldades.

Abrangência do curso. Quanto mais vasto o horizonte, melhor
O primeiro conselho passa por analisar a abrangência de cada opção. É natural que muitos jovens não tenham uma ideia clara sobre a área de que realmente gostam no momento de acesso ao ensino superior. Sempre, mas sobretudo quando assim é, é muito importante pensarmos na abrangência do curso que tencionamos fazer. Quanto mais as opções de escolha 'que o curso em questão nos der no mercado do trabalho, mais as hipóteses de encontrarmos algo que esteja de acordo com aquilo que queremos. A boa noticia é que nos Estados Unidos e no Reino Unido, por exemplo, o mercado do trabalho já começa a não restringir os recrutamentos a determinados cursos, permitindo que um químico seja auditor e que um engenheiro seja fiscalista! O futuro passará por aqui.

Gostar da área de estudo
O segundo conselho que dou a um jovem que esteja a candidatar-se ao ensino superior é que tenha como critério principal na escolha da área para a sua formação o gosto que sente por essa mesma área. Muitas vezes, os jovens são desviados (com as melhores das intenções) das áreas de que gostam para outras que parecem ter, por exemplo, maior empregabilidade. Outras vezes, tendem a condicionar as suas escolhas às escolhas dos amigos ou aos cursos existentes numa determinada zona geográfica. Contudo, para sermos realmente excelentes no nosso percurso no ensino superior e, posteriormente, naquilo que viermos a fazer com a nossa formação, temos de gostar da área de estudo/trabalho.

Existem, mas serão poucas as pessoas capazes de excelência a realizar um trabalho de que não gostam. É preciso paixão pelo que se faz. Só assim se consegue avançar, ser criativo, ter a persistência necessária para superar as dificuldades, etc. A isto acresce, e é bom lembrar, que o mundo está em contínua mudança e que, portanto, não é claro quais as áreas de formação que trazem consigo o sucesso e a empregabilidade esperada. Muitos dos cursos que têm neste momento uma grande procura no mercado não estavam seguramente na lista do meu pai quando eu própria me candidatei ao ensino superior.

Tentar equilibrar a área de formação com gostos pessoais
O terceiro conselho é que ao aferirmos o nosso gosto ou apetência por uma determinada área não devemos olhar unicamente para o aspecto técnico. Pelo que tenho observado ao longo destes anos, fundamental no sucesso profissional é o nosso dia-a-dia no trabalho não nos exigir uma elevada taxa de esforço enquanto indivíduos. Isto não significa não termos de trabalhar muito! A título de exemplo: se uma profissão exige viajar muito, é importante que isso seja algo que nos dê prazer.

Se uma profissão exige um trabalho mais solitário, é importante que sejamos felizes a trabalhar sozinhos. E o contrário, se é um trabalho sobretudo em equipa, é importante que seja nesse contexto que surja o nosso melhor. Ou seja, ao pensar na nossa área de formação devemos tentar antecipar se algumas das alternativas de aplicação dessa formação no mercado do trabalho estão alinhadas com aquilo de que gostamos no nosso dia-a-dia. Por exemplo, por muito que ache a medicina uma vocação belíssima não gostaria de passar o meu dia num hospital.

Maria Antónia Torres, PwC Partner

In Sábado, 30 de junho de 2016

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