Ambiente e Economia de Mãos Dadas

A existência de vida no nosso planeta depende dos oceanos e dos seus ecossistemas marinhos, sendo prioritário preservar este recurso natural para que a nossa geração e as gerações futuras possam crescer e se desenvolver de forma sustentável. Embora o recurso mar seja enorme, a sua vastidão não nos deve fazer esquecer que tudo tem limites, incluindo o mar e os seus recursos. Se, no momento presente, podemos falar na grande oportunidade que temos pela frente através da concretização de projetos no mar, essa realidade só é possível porque a força e a energia dos oceanos conseguiram proteger vários dos tesouros naturais que nele habitam.

No entanto, a exponencial evolução da tecnologia faz antever que, sozinhas, a força e a energia do mar não serão suficientes para travar o avanço do homem sobre a natureza. Neste contexto, é fundamental que se eduque o ser humano a proteger e conservar a natureza e, em particular, os frágeis ecossistemas marinhos. Muitas vezes, a visão dominante sobre a proteção do meio ambiente está centrada, apenas, na criação de leis e regulamentos restritivos e consequente punição para quem não cumpre as regras. Não existem dúvidas que uma boa regulamentação e sistema de punição para infratores são um pilar essencial da defesa do meio ambiente marinho, no entanto, esta abordagem pode e deve ser complementada com uma estratégia de incentivo à valorização do meio ambiente marinho.

Ou seja, é fundamental punir os infratores e é fundamental sinalizar e premiar quem cumpre e quem cuida dos recursos naturais. Todos os países e regiões que têm boa qualidade da água do mar, têm tudo a ganhar em sinalizar essa realidade. Sinalizar significa, por exemplo certificar os produtos e serviços do mar, como o pescado e o turismo, entre outros setores. Felizmente, Portugal tem, comparativamente com outras regiões marítimas da Europa, uma boa qualidade das suas águas marinhas. 72% dos gestores de topo e personalidades da economia do mar inquiridos no âmbito do LEME - Barómetro PwC da Economia do Mar, consideram que Portugal tem uma boa qualidade da água do mar. Infelizmente, Portugal não usa adequadamente este argumento, não sinaliza devidamente, nem certifica a maioria dos seus produtos e serviços marinhos.

78% dos inquiridos considera que Portugal não utiliza de forma adequada o argumento da boa qualidade da sua água. A captação de valor económico através da certificação ambiental de produtos e serviços, para além de unir o ambiente e a economia, é a melhor forma de fazer aumentar o valor acrescentado dos produtos e serviços de uma região, sem ter que aumentar exageradamente a pressão sobre os seus recursos naturais.

Miguel Marques, PwC Partner
In DN Madeira, 2 de fevereiro de 2017


"É fundamental que se eduque o ser humano a proteger e conservar a natureza e, em particular, os frágeis ecossistemas marinhos. Só com uma atitude de permanente respeito pelos ecosistemas marinhos se conseguirá valorizar internacionalmente os produtos e serviços do mar português."

Miguel Marques, PwC Partner

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