Portugal, os próximos cinco anos

Após a saída do Programa de Ajustamento económico em 2014 e a recente saída do Procedimento por Défice Excessivo, nos próximos 5 anos é preciso afastar as principais ameaças que pairam sobre a economia portuguesa.

A taxa de crescimento do PIB do primeiro trimestre de 2017 (2,8%, de acordo como INE, é um bom indicador e um grande passo para criar uma dinâmica positiva, mas é importante que este crescimento seja sustentado. Para reduzir o endividamento do Estado e do sector privado para níveis confortáveis, e assim potenciar um aumento da confiança dos empresários portugueses e estrangeiros, é imperativo que o crescimento de longo prazo do PIB seja superior ao da média da EU, em simultâneo com a adopção de uma política fiscal responsável. Enquanto o endividamento não for reduzido de forma substancial, o nosso país continuará mais sujeito do que outros à conjuntura financeira do momento e às políticas de quantitative easing do Banco Central Europeu.

Um crescimento do PIB sustentável requer investimento, e nos últimos anos (2011 a 2015) o investimento público e privado em Portugal atingiu níveis muito inferiores aos da média da UE. Se esta tendência não se inverter no curto prazo, o crescimento da nossa economia estará necessariamente comprometido.

Por outro lado, a demografia portuguesa, caracterizada por um envelhecimento crescente e uma diminuição projectada da população ao longo das próximas décadas, representa uma ameaça para o crescimento da economia em geral e um factor adicional de desequilíbrio para as finanças públicas, na medida em que os trabalhadores activos serão cada vez menos numerosos para suportar as pensões da crescente população reformada. 

Empresas como motores do crescimento
No contexto actual, as empresas precisam de desenvolver estratégias de aceleração das exportações, assentes em aumentos de produtividade potenciados por uma adaptação das suas estratégias ao contexto digital. A forma como as empresas se relacionam com os seus clientes está já a evoluir de forma acelerada, com a utilização crescente das redes sociais e plataformas móveis. Muito modelos de negócio precisam de ser adaptados ao novo contexto, tirando partido dos ganhos de produtividade que as novas tecnologias digitais permitem (cloud computing, inteligência artificial, data analytics, impressões 3D e Internet of Things).

O motor para o crescimento económico deverá passar por um aumento do valor acrescentado das nossas empresas, assente numa estratégia de crescimento das exportações. Em 2015, as exportações portuguesas correspondiam a 40.3% do PIB, de acordo com o Banco Mundial, o que apesar de representar um aumento expressivo face à década anterior, ainda fica ligeiramente abaixo da média da UE (42.9%) e muito abaixo da proporção das exportações no PIB de países como a Bélgica e a Holanda, que excede os 82%.

O sucesso que se ambiciona para as exportações deverá continuar a assentar em sectores como o turismo, bens de equipamento, refinados de petróleo e têxteis e calçada Mas cada vez mais existe o potencial para que as empresas Portuguesas de base tecnológica contribuam decisivamente para um crescimento das exportações de software e de serviços. O empreendedorismo e a criatividade das start-ups, quando assentes em modelos de negócio sãos e sustentáveis, são factores críticos de sucesso para o desenvolvimento destas novas empresas viradas para a economia digital.

Recursos humanos e financeiros
Mas para sustentar um aumento da competitividade das empresas portuguesas, é crítico que exista um abastecimento de técnicos e quadros qualificados. As instituições de ensino profissional e as universidades por um lado, e as instituições de formação profissional por outro, têm vindo a desempenhar um papel fundamental para a capacitação dos nossos recursos humanos. Mas os desafios nesta área são enormes e verifica-se actualmente um défice (em quantidade) de profissionais qualificados em tecnologia, o que pode ameaçar a aceleração digital no nosso país.

Importa referir que a situação financeira de uma grande parte do tecido empresarial português é ainda débil. O endividamento das empresas é elevado, que vêm a sua sustentabilidade financeira particularmente exposta aos ciclos económicos e aos ciclos de concessão de crédito pela Banca.

A solidez financeira dos bancos continua a merecer uma particular atenção. Muito foi já feito para melhorar a solidez do sistema financeiro português, com intervenções por parte do Banco de Portugal, aumentos de capital e investimento directo estrangeiro. No entanto, a qualidade de alguns activos (crédito concedido a empresas) ainda é insuficiente. E necessário actuar de forma integrada ao nível das empresas devedoras em situação difícil, ao nível da estratégia e das operações, por forma a melhorar a rentabilidade e assegurar as condições de reembolso dos empréstimos à banca.

Uma última palavra para a elevada carga fiscal em Portugal, sobre os particulares e sobre as empresas. À medida que a execução orçamental o venha a permitir, é importante dar um sinal aos agentes económicos de estímulo, reduzindo as taxas de imposto.

Patrique Fernandes, PwC Advisory Lead Partner

In Jornal de Negócios, 6 de junho de 2017


"O empreendedorismo e a criatividade das start-ups, quando assentes em modelos de negócio sãos e sustentáveis, são factores críticos de sucesso para o desenvolvimento destas novas empresas viradas para a economia digital."

Patrique Fernandes, PwC Advisory Lead Partner

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