"Cerâmica tem de apostar numa estratégia única de internacionalização"

Luís Rebelo de Sousa, manager da PwC, apresentou estudo sobre nove mercados de exportação e sugeriu uma estratégia única de internacionalização para rivalizar com a cerâmica que define as tendências mundiais, a italiana.

Durante a conferência sobre os 20 anos da APICER Luís Rebelo de Sousa, manager da PwC, apresentou o estudo sobre as estratégias de internacionalização da cerâmica portuguesa, realizado pela PwC, intitulado Capacitação da indústria da Cerâmica Portuguesa: Um cluster, uma estratégia, mercados prioritários". 

Em termos sintéticos quais são as principais forças e fraquezas da indústria cerâmica portuguesa?
As principais forças da indústria cerâmica portuguesa são a relação qualidade/preço dos seus produtos, a competência e rapidez com que os produtores nacionais conseguem replicar as últimas tendências e inovações tecnológicas mundiais nas suas produções e a capacidade empreendedora dos seus gestores que, compreendendo que a procura interna não permitiria escoar a sua capacidade instalada, souberam adaptar e colocar a sua oferta de produtos nos principais mercados relevantes internacionais.

As principais fraquezas são a dependência de uma logística complexa e dispendiosa para chegar aos mercados relevantes internacionais, uma percepção ainda não totalmente consolidada de qualidade e fiabilidade que não permite ainda concorrer com os produtores internacionais reputados no segmento premium, em particular a cerâmica italiana, o que coloca a cerâmica nacional em concorrência com produtores de qualidade média inferior, que têm economias de escala e gama e ser mais competitivos no preço. A falta de investimento em investigação e desenvolvimento não permite à cerâmica nacional concorrer com a italiana no processo de definição das tendências mundiais e a incapacidade, até agora, dos principais produtores de cerâmica nacionais para convergir numa estratégia única de internacionalização que mitigue as três primeiras fraquezas identificadas.

Quais devem ser as estratégias de diferenciação da cerâmica portuguesa?
A cerâmica portuguesa deve apostar numa compreensão mais exaustiva dos mercados-alvo geográficos mais relevantes para a sua internacionalização. Apostar na convergência dos principais produtores nacionais numa estratégia única, conjunta, de investimento em inovação tecnológica, de alguma estandardização de produtos e até tamanhos ou moldes produtivos, que acrescentem valor ao processo produtivo no seu todo e permitam eficiências de escala e gama, de forma a aumentar as vantagens competitivas dos seus produtos, seja no maior ajuste da sua oferta, na melhoria do seu serviço de venda e pós-venda, criando uma imagem da produção nacional diferenciadora, assente numa percepção cada vez maior e mais sustentada de qualidade, fiabilidade e inovação que permita rivalizar com a cerâmica "trendsetter mundial", a italiana, afastando-se da produção em massa assente na competitividade pelo factor preço, em que será impossível rivalizar com a maior produtora mundial, a China.

In Jornal de Negócios, 12 de dezembro de 2016

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