Em 2050 os emergentes vão dominar a economia mundial

O xadrez da economia mundial como o conhecemos terá desaparecido daqui por pouco mais de três décadas. A conclusão é de um estudo da PwC, que antecipa as mudanças da ordem económica mundial em 2050. No topo da cadeia do crescimento estarão as economias emergentes. A consultora antecipa que, dentro de três décadas, a dimensão da economia mundial terá mais do que duplicado, sendo provável que ultrapasse o crescimento da população, devido aos avanços da tecnologia. Para tal, conclui o estudo, serão necessárias políticas sustentáveis e amigas do crescimento, o que não acontecerá se houver “um recuo na direção do protecionismo”. Se a economia avançar como previsto, em 2050 as economias emergentes irão representar cerca de 50% do PIB mundial, face aos 35% atuais. A China será a maior economia do mundo, reunindo cerca de 20% da riqueza total do globo.

A Índia já terá empurrado os Estados Unidos para o terceiro lugar da tabela, com a Indonésia a escalar do oitavo para o quarto posto. Piores são as perspetivas para as economias europeias, que começarão a ficar para trás. Países como o México deverão ultrapassar gigantes como o Reino Unido ou a Alemanha, sendo que entre as sete maiores economias mundiais, seis serão emergentes. O peso da União Europeia no PIB mundial terá caído para menos de 10%, um valor menor que o da Índia. Entre as economias que mais se vão destacar nas próximas décadas encontram-se ainda o Vietname e o Bangladesh que, juntamente com a Índia, deverão registar o ritmo de crescimento mais acelerado. O Reino Unido conseguirá recuperar do Brexit e continuará a crescer mais depressa que os restantes países da UE, mas a economia mais vigorosa dos 27 deverá ser a Polónia. França não deverá figurar entre as dez maiores economias mundiais e Itália não ficará além do 20º posto.

Nas economias desenvolvidas o salário médio continuará a ser mais elevado, mas em 2050 a diferença entre os dois grupos de países será menor. Segundo o estudo da PwC, com o dissipar das desigualdades serão criadas mais oportunidades de investimento de longo prazo. “Mas será necessária paciência para que as tempestades dos últimos anos em países como o Brasil, a Nigéria ou a Turquia se dissipem”, sublinha o estudo. A consultora deixa ainda um desafio aos emergentes: para que concretizem todo o seu potencial económico deverão implementar reformas estruturais de forma a aumentar a estabilidade macroeconómica, diversificar as economias e tornarem-se menos dependentes das matérias-primas. As instituições legais e políticas também precisam de mais desenvolvimento. Entre 2016 e 2050 o ritmo médio de crescimento global deverá ficar nos 2,6% anuais.

In Dinheiro Vivo, 13 de fevereiro de 2017

Contacte-nos

Pedro Palha
Manager
Tel: +351 213 599 651
Email

Siga-nos