Potenciar o valor do mar

A posição geográfica privilegiada de Portugal confere-lhe um vasto potencial para desenvolver a economia do mar.

Um movimento que começa a dar frutos, mas que ainda está longe de alcançar todo o valor que lhe está indiferente.

Pesca, energia, construção naval, transportes marítimos ou turismo são alguns dos sectores que têm vindo a ser desenvolvidos nos últimos anos dado o seu potencial de crescimento elevado.

No último barómetro Leme da PwC são referidos alguns subsectores das actividades ligadas ao mar, o seu desenvolvimento e desafios. Segundo o documento, "em Portugal, apesar das dificuldades macroeconómicas, existem várias indústrias do mar que, nos últimos anos, têm crescido e vivido níveis interessantes de desenvolvimento. Se ao aumento da carga movimentada nos portos, assim como ao crescimento dos cruzeiros, juntarmos o aumento das exportações da fileira do pescado, temos três grandes pilares do crescimento azul português".

São exemplos disso a Construção e Manutenção/ Reparação Naval que, depois de um longo período de redução, assistiu a um aumento do volume de negócios em 2015. Pese embora o País disponha de estaleiros com capacidade relevante, refere o relatório, enfrenta a forte concorrência dos mercados com mão-de-obra barata ou tecnologia mais avançada. 

Entre os desafios desta área encontra-se a necessidade de reforçar o investimento para rentabilizar a capacidade produtiva instalada, a aposta na inovação e especialização em nichos de mercado de elevado valor ao nível da construção naval, especializar alguns estaleiros na construção de embarcações sofisticadas de pequeno e médio porte e que incorporem um elevado valor acrescentado e tecnologia de ponta, aplicar técnicas de construção e manutenção/ reparação naval a outras actividades, diversificando o portefólio de produtos, ou desenvolver parcerias internacionais em particular com os países de língua oficial portuguesa. 

Nos Transportes Marítimos, Portos, logística e Expedição, a evolução global em 2015 continuou a ser positiva, indica o barómetro. Mas existem desafios, nomeadamente "conceber os portos marítimos nacionais como autênticas plataformas logísticas integradas em cadeias logísticas internacionais, maximizando o interface entre auto-estradas do mar, rodovia, ferrovia e aeroportos, fazendo com que os transportadores passem a utilizar Portugal como hub (ponto de entrada e saída para as mais diversas localizações internacionais), sem descurar o seu papel fundamental no desenvolvimento do sector exportador de produtos com origem portuguesa, fomentando assim a indústria nacional". Além disso é preciso "melhorar as condições técnicas dos portos nacionais, reduzir a fiscalidade e a burocracia associada às transacções portuárias, e potenciar as relações privilegiadas entre todos os países da comunidade de países de língua oficial portuguesa", entre outros.

Ao nível da Pesca, Aquacultura e Indústria do Pescado, Portugal importa mais de metade do peixe que consome. A aquacultura "continua a enfrentar o desafio do aumento de dimensão das empresas que operam no sector, com o consequente aproveitamento de economias de escala" e o "número de embarcações da frota de pesca nacional que descarregam peixe em Portugal continua a cair". Seria por isso necessário, e de acordo com o barómetro, acrescentar valor ao produto base primário (peixe e marisco) através da sua conservação, transformação e diversificação, reforçar as práticas de captura sustentáveis, certificando os processos e comunicando adequadamente ao consumidor final, e substituir as importações por produção nacional para fazer face à procura existente no mercado português, entre outros desafios.

Na área de Entretenimento, Desporto, Turismo e Cultura, o turismo de cruzeiros tem-se revelado um dos segmentos mais dinâmicos, apresentando bons níveis de crescimento.

Mas é necessário dinamizar a náutica de recreio, criar mais condições para Portugal fazer parte das rotas de cruzeiros, tanto nas ilhas como no continente, desenvolver o branding das várias regiões, assim como uma visão de indústria dinamizadora da economia local e nacional.

In Executive Digest, mensal, julho de 2017

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