A economia portuguesa no pós COVID-19

Tem sido dito e redito que a crise sanitária resultante da COVID-19 irá provocar uma significativa recessão da economia mundial e uma profunda contração na economia europeia.
Como é natural, estando a economia portuguesa tão dependente da economia europeia, iremos passar por uma contração do PIB muito substancial - porventura entre os 7 e os 12% - consoante viermos ou não a ser confrontados com uma nova vaga em outubro próximo.

As exportações deverão conhecer uma redução significativa, o desequilíbrio externo evoluirá negativamente (o mesmo sucedendo com a Dívida Externa), o desemprego aumentará para valores que se situarão entre os 10 e os 13% da população ativa e o défice orçamental poderá evoluir para um intervalo entre os 7 e os 10%.

A recuperação económica dependerá de duas variáveis exógenas: a saber, a existência ou não de uma nova vaga de COVID-19 em 2020 e o timing da descoberta de uma nova vacina que permita solucionar o problema sanitário com que nos confrontamos.

Haverá que reconhecer não ser possível fazer previsões em relação ao comportamento destas duas variáveis exógenas. Mas,  haverá ainda mais uma outra variável exógena (que poderá passar a variável mais previsível - e quiçá com componentes endógenas - a curto prazo), a qual consiste na modalidade e intensidade do apoio da UE às economias mais afetadas pela COVID-19.
Mesmo que não se venha a descobrir, tão cedo, uma nova vacina, será sempre possível amenizar os efeitos da presente crise se a UE vier a conceder um forte apoio financeiro aos países mais afetados pela Covid-19, através de um Fundo para o Relançamento da Economia Europeia; fundo esse resultante de empréstimo substancial a ser contraído pela Comissão Europeia junto do BCE.

Se o produto desse empréstimo vier a ser utilizado, ainda que só em parte, para subvenções às economias mais carenciadas e se se mantiver um Programa de “quantitative easing” por parte do BCE, será possível ao Estado português continuar a financiar-se no mercado internacional sem que ocorram grandes aumentos nos juros da Dívida Pública e sem que o rácio Dívida Pública/PIB aumente exageradamente.

A adoção de uma metodologia semelhante à agora proposta pela dupla Macron-Merkel representará sempre um importante salto qualitativo na construção europeia.

Melhor dizendo, corresponderá sempre a um grande avanço das teses federalistas,  reforçando-se a solidariedade europeia e começando a fazer, cada vez mais sentido, apostar numa Europa do Futuro.

Em boa verdade, nunca dependemos tanto como agora de um projeto de futuro para a Europa.

Nem mais, nem menos...

Professor Doutor António Rebelo de Sousa, Economista e Professor Catedrático

 

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"A recuperação económica dependerá de duas variáveis exógenas: a saber, a existência ou não de uma nova vaga de COVID-19 em 2020 e o timing da descoberta de uma nova vacina que permita solucionar o problema sanitário com que nos confrontamos."

Professor Doutor António Rebelo de Sousa, Economista e Professor Catedrático

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