Desafios da formação pós COVID-19

Se antes do COVID-19 as empresas já sentiam a pressão da produtividade, o COVID-19 só veio aumentar essa pressão, tornando mais evidente o grau de preparação de cada organização para se ajustar à mudança. 

Se antes do COVID-19 já se sentia a necessidade de incentivar o upskilling dos colaboradores de forma a garantir que estes têm as competências necessárias para fazer face à evolução tecnológica do mercado de trabalho, essa necessidade tornou-se vital em muitos setores, em que foi necessário reforçar a autonomia das equipas na gestão de processos online.

As organizações que já fomentavam o auto-estudo e o trabalho colaborativo viram os seus esforços recompensados, uma vez que as suas pessoas já tinham sido expostas a pelo menos algumas das ferramentas necessárias para continuarem a trabalhar e a aprender à distância. Para as restantes organizações, este esforço terá sido superior.

No que respeita às áreas de formação, creio que o COVID-19 proporcionou ao mesmo tempo desafios e oportunidades, como em quase tudo na vida.

Comecemos pelos desafios. 

O mais óbvio foi o desafio do formato da formação. Pela primeira vez para muitas organizações, não foi possível juntar os seus colaboradores numa mesma sala. A superação deste desafio passou pela agilidade, e, em muitos casos pelos meios já existentes ou pela experiência, em transformar programas tipicamente presenciais para o formato online. 

Passou por conseguir-se romper com os argumentos dos mais resistentes que diziam não ser possível formar à distância, ou que defendiam que a qualidade da formação seria totalmente posta em causa se as pessoas não estivessem face-a- face.

Num exemplo muito prático, a PwC’s Academy estava envolvida num projeto em que era necessário capacitar cerca de 500 pessoas, numa semana, para trabalhar num novo software que se encontrava em implementação. O que fariam? Adiariam a sua implementação ou transformariam a formação para o formato online?

Neste caso optámos por avançar para o formato online e digo-vos que é possível. É possível formar colaboradores em novas ferramentas, num formato totalmente online e chegar ao dia do Go live e ter as pessoas capacitadas. Sim, é possível garantir o envolvimento e o comprometimento de todos no processo de aprendizagem.

Se é preciso reforçar o acompanhamento e os meios colocados à disposição? Diria que sim, é necessário um planeamento muito próximo a cada fase do projeto e ajustar muito bem as expectativas dos diferentes envolvidos. Se é tudo perfeito? Também diria que não, mas por vezes aquilo que nos leva ao limite é também o mais compensador, pois é possível conseguir resultados de aprendizagem igualmente eficazes.

O reforço dos recursos necessários para uma reconversão deste tipo está ligado ao grau de maturidade que a organização detém na utilização de ferramentas de formação à distância. Quanto menor à vontade existir, maior deverá ser o investimento no apoio ao acesso às mesmas.

Depois segue-se o desafio da capacidade. Por capacidade refiro-me à detenção das competências necessárias e o à vontade para trabalhar com as ferramentas à distância, por parte das equipas de formação e por parte dos formadores. 

É imprescindível resistir à tentação de pegar naquilo que se fazia presencialmente e repetir o modelo no formato online. Há que dizer que não só o ritmo é distinto, como a capacidade de atenção continua a ser limitada, bem como se torna mais desafiante para um formador perceber como a aprendizagem está a ser efetiva quando não consegue acompanhar as reações físicas da sua audiência, como no contexto presencial. Por isso há-que envolver os formadores nesta nova realidade dando-lhes o conforto e as ferramentas necessárias para conseguirem imprimir iguais níveis de dinamismo e interatividade numa formação online, em sala de formação virtual.

E dos desafios residem as oportunidades, também para os departamentos de formação.

Já o partilhei noutros fóruns que tem sido gratificante constatar que, ironicamente, temos tido a oportunidade de atuar de forma ainda mais próxima dos diferentes interlocutores, de forma mais evidente ora na adaptação dos programas, ora na moderação dos programas online, formando-os nesta nova forma de formar e estando “lado a lado” em co-monitoria online com os especialistas dos conteúdos.

Quem trabalha em formação e desenvolvimento sente sempre uma pressão por conhecer as melhores práticas e estar sempre um passo à frente naquilo que são as necessidades dos seus clientes. Senti que conseguimos superar expectativas por termos sido rápidos no posicionamento, na reconversão das nossas abordagens e por capitalizarmos um investimento que a PwC já vinha a fazer na última década, no sentido de munir os diferentes territórios das competências de Learning technologies, mais recentemente designadas por Digital learning experiences.

A digitalização completa de todo o processo formativo é também um ganho geralmente visto de forma positiva pelas equipas, associada à desmaterialização de processos, onde (quase) todo o ciclo de formação se operacionaliza através de meios digitais.

Direcionando para oportunidades mais transversais, as experiências de aprendizagem online, por si só, constituem uma oportunidade indireta de fazer upskilling dos colaboradores, uma vez que os expõe à necessidade de utilização de diferentes ferramentas, apelando também à sua capacidade de adaptação.

Diria que agora o caminho consiste em dar continuidade e ter a consciência de que as competências que as organizações precisam, tais como a criatividade, a resolução de problemas, a agilidade digital e a liderança - são aquelas que ajudam as suas pessoas a pensar, a agir e ser bem sucedidas num mundo mais imprevisível e com rápida digitalização. As competências digitais são apenas uma parte da história. Nós não somos só digital, assim como não somos só presencial. É importante continuar a fazer um mix e a manter o fator online visível, mesmo quando voltarmos a poder estar todos juntos. Será esse o desafio pós-COVID e todos teremos a ganhar.


Catarina João Morgado, PwC's Academy Senior Manager

 

"É imprescindível resistir à tentação de pegar naquilo que se fazia presencialmente e repetir o modelo no formato online."

Catarina João Morgado, PwC's Academy Senior Manager

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