O poder do relacionamento no mundo dos negócios

Neste artigo, de Catarina João Morgado, refletimos sobre declarações de Steve Jobs, deixamos algumas dicas sobre networking e partilhamos a visão de Graça Quintas, Head of Labour Law da CCR Legal e formadora da PwC’s Academy.

“A inovação nasce quando as pessoas se cruzam nos corredores, quando telefonam umas às outras às dez e meia da noite com uma ideia nova ou quando se apercebem de algo que mina a forma como temos estado a pensar num problema.”

Steve Jobs

No livro “Pensar como Steve Jobs”, Daniel Smith destaca como este, desde cedo, percebeu que o caminho para a grandeza não se trilha sozinho e que a construção de laços com os outros é um fator de sucesso. Por este motivo, o networking é uma ferramenta preciosa que pode (e deve) ser trabalhada por todos, mesmo por aqueles que não sentem possuir caraterísticas inatas para a comunicação.

Embora muitas vezes ainda se defenda que “o segredo é a alma do negócio”, Steve Jobs antecipou que trabalhando em grupo se pode atuar ao nível de todo o ecossistema, e assim, potenciar sinergias e capitalizar oportunidades para todos. Nem tudo, no mundo dos negócios, é segredo e o segredo está em perceber até onde partilhar e colaborar. Com start ups próximas de grandes multinacionais, empresas sediadas junto da Academia e tantas outras dinâmicas de criação de pontes entre diferentes players, incluindo entre empresas concorrentes, não há dúvida de que assistimos a uma tendência crescente do trabalho em network.

Se pensarmos em cada um de nós como um elemento desta cadeia de valor, também percebemos que nos movemos mais facilmente em grupo, do que caminhando sozinhos. Quanto mais cedo nos apercebemos disso, mais rapidamente podemos recolher os benefícios do networking como uma ferramenta poderosa. Confesso que quando iniciei o meu percurso numa multinacional, e não será incomum para perfis mais reservados, estava tão focada na entrega que deixava para segundo plano a criação de laços com os que me rodeavam. Rapidamente percebi que o maior ativo - especialmente numa organização como a PwC - são as pessoas com quem nos cruzamos e os laços que criamos, muitos deles para a vida.

Neste sentido, gostaria de partilhar 10 dicas de entre aquelas que abordamos nas nossas formações de Personal branding:

      1. Comece agora

O networking deverá fazer parte do seu ADN e não deve utilizá-lo apenas quando procura uma promoção ou mudança profissional. É preciso querer genuinamente conhecer os outros.

       2. Não negligencie o óbvio

Principalmente se está no início de carreira ou se trabalha numa empresa pequena, pode pensar que não conhece ninguém relevante, mas desde familiares a amigos, todos devem saber o seu valor e podem ser fonte de referenciação futura.

       3. Assegure-se de que todos os laços que cria são de benefício mútuo

Se não for óbvio para si como poderá contribuir para o outro, pergunte-lhe, ofereça ajuda.

       4. Seja um alumni  ativo

Mantenha contacto com os seus antigos colegas de escola/universidade e apoie estudantes no seu percurso.

       5. Recorra ao voluntariado

As ações de voluntariado são das formas mais recompensadoras de conhecer novas pessoas, especialmente quando se encontram pessoas que partilham as nossas causas.

       6. Adira a uma organização profissional

As associações profissionais existem exatamente com o propósito de conectar os diferentes membros e criar sinergias, pelo que são boas fontes de networking.

      7. Pesquise antes de um evento de networking

Se vai participar num evento faça o seu trabalho de casa. Procure perceber se vai alguém que já conhece e aproveite a oportunidade para rever contactos e informe-se sobre o que vai ser discutido para poder preparar a sua intervenção.

      8. Não falte

Se se inscreveu para alguma iniciativa, não falte. Nunca saberá que oportunidades estará a perder, bem como quem saberá que não compareceu.

      9. Faça follow up

O melhor momento para o follow up é imediatamente após ter conhecido a pessoa, quando ainda ambos se recordam, tome a iniciativa de dar o primeiro passo.

      10. Não se esqueça de agradecer

Expressar gratidão é uma componente essencial. Enviar um email ou um cartão de agradecimento após ter recebido um conselho ou ter sido referenciado demonstra bom caráter.

De forma a consubstanciar as dicas acima apresentadas, e tendo em conta o papel fundamental que tem assumido em formações desenvolvidas em parceria com a PwC’s Academy, coloquei algumas questões a Graça Quintas, Head of Labour Law da CCR Legal.

Graça, partilha connosco uma boa prática que utilizes na abordagem ao cliente.

“É muito importante ter atenção ao seu móbil concreto e avaliação de impactos - numa primeira abordagem, privilegio sempre o contacto telefónico ou reunião presencial em vez de emails. Sempre que me é pedida a resolução de uma determinada questão, preocupo-me em estar atualizada sobre todos os detalhes referentes ao Cliente, de forma a que a solução que preconizo encaixe devidamente na estrutura do Cliente e corresponda à sua expetativa.”

Qual é para ti a competência fundamental que um profissional deve desenvolver para ser bem sucedido na abordagem ao mercado?

“Inteligência emocional, sempre aliada à parte técnica.”

Como integras o papel de formadora no âmbito da gestão de clientes?

“É um papel absolutamente essencial para colmatar lacunas relevantes em termos de know-how e estratégia a adotar. O nosso papel é o de parceiro estratégico do Cliente.”

Imagina que estamos em 2030, o que achas que será diferente na abordagem comercial?

“A preocupação por apresentar soluções e produtos que contribuam para uma cada vez maior eficiência na esfera do Cliente. A criação das necessidades que conduzirão à aquisição dos mesmos, será sempre norteada por um contínuo esforço de inovação - sempre com a componente tecnológica a comandar, a par da experimentação de novas situações - com o objetivo de melhorar a client experience.

E adicionalmente, a apresentação de gamas de produtos associados a uma gestão de tempo e recursos mais eficiente e a diminuição dos atuais níveis de stress, favorecendo a compatibilização da vida pessoal e familiar com a profissional, serão tónicas relevantes neste relacionamento e abordagem comercial ao Cliente interno (e externo).”

Em suma, que criar relações é um imperativo num mundo nos negócios não é novidade, o contexto em que atualmente nos movemos é que parece desafiar-nos constantemente. Não só na conciliação de todas as nossas atribuições sociais com a manutenção da ligação com os nossos contactos, como na capacidade de estarmos sempre atualizados e sermos capazes de direcionar aquilo que de mais relevante temos para partilhar com cada cliente. Felizmente, temos novas ferramentas para nos ajudar, e pessoalmente acredito que a digitalização nos vai deixar mais tempo para construir relações cada vez mais genuínas; se assim não for, o que é que realmente nos distingue?

Reflexão conduzida por:

Catarina J. Morgado, PwC’s Academy Senior Manager

Nem tudo, no mundo dos negócios, é segredo e o segredo está em perceber até onde partilhar e colaborar.

Catarina João Morgado, PwC’s Academy Senior Manager

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