Lisboa fora do top 10 das mais atrativas

Estudo da PwC coloca Lisboa em 11° lugar (empatada com Barcelona) no ranking das cidades que mais interesse despertam nos investidores imobiliários.

Lisboa permanece no radar dos investidores, que continuam a considerar a capital portuguesa como uma cidade "interessante" para novos projetos imobiliários, mas desceu de 7° para 11° lugar no ranking do estudo "Emerging Trends Europe", elaborado pela PwC e pelo Urban Land Institute (ULI) com base nas tendências do mercado imobiliário da Europa para o próximo ano.

O documento — feito através de inquéritos a mais de cinco centenas de intervenientes a operar a nível global em diversas áreas — revela, no essencial, um sector "cauteloso mas positivo" e uma disposição firme de continuar a investir, motivada pelo clima de crescimento económico e pelas oportunidades que o 'Brexit' vai semeando no continente. Isto apesar de se manterem algumas incertezas, como a instabilidade a nível geopolítico, a previsível subida das taxas de juro ou a escassez de ativos prime em várias das principais urbes europeias. 

A robustez das cidades alemãs, que ocupam quatro dos seis primeiros lugares da lista de 31 cidades analisadas no inquérito, é um facto confirmado, mais uma vez, pelos suspeitos do costume: Berlim, Frankfurt, Munique e Hamburgo. Pelo meio, interpõem-se Copenhaga (2°) e Madrid (5°), presentes nos lugares cimeiros nas duas últimas edições do estudo da PwC e do ULI e beneficiárias de economias em plena aceleração, com claros impactos no mercado imobiliário. Dublin e Estocolmo surgem em 7° e 8°, o primeiro apontado como um dos beneficiários do 'Brexit' e um mercado já estabilizado e em crescimento após a crise dos últimos anos, enquanto a capital sueca é bem conhecida pela sua estabilidade e por uma economia dinâmica e apoiada em boas infraestruturas. 

No plano oposto, confirma-se a tendência de descida ou posições modestas de várias cidades britânicas (Londres quase no fim da tabela, em 27°, Birmingham e Edimburgo em queda), devido aos receios do impacto da saída do Reino Unido da União Europeia.

Os receios de uns são a motivação extra de outros, e a nuvem que tolda as perspetivas na capital britânica abre novos horizontes noutras paragens.

É o caso do Luxemburgo, que entra pela primeira vez nesta tabela e logo para n° 9. Ou Amesterdão, que recentemente ganhou a 'corrida' para receber a sede da Agência Europeia do Medicamento, antes sediada em Londres, a ocupar o 10° posto. 

Em termos gerais, a maioria dos operadores inquiridos mostra-se otimista, sentimento alimentado pela recuperação económica global e pela estabilidade resultante das eleições na Holanda, em França e na Alemanha. E que tende a sobrepor-se claramente a um cenário geopolítico em que se mantêm algumas incertezas, desde o 'Brexit' ao agudizar da situação na Catalunha, a que se veio juntar, mais recentemente (e já fora do tempo da realização do presente estudo), a surpresa das dificuldades surgidas para a formação do governo germânico.

No caso de Londres, o pessimismo terá até diminuído em relação às preocupações expressas no estudo do ano passado: apesar de cerca de 80% de respostas estimar um decréscimo do valor da propriedade imobiliária e do próprio investimento, não mais de um quinto prevê que essa queda seja substancial em 2018. 

Lisboa "continua interessante" 

A entrada meteórica do Luxemburgo para o ranking e a subida de Amesterdão colocaram a capital portuguesa fora do lote das 10 cidades mais atrativas aos investimentos estrangeiros (de 7° para 11° lugar, empatada com Barcelona). Mas ficou junto à porta e com boas indicações para regressar...

"Lisboa representa um mercado pequeno (2 mil milhões de euros em investimentos verificados entre o último trimestre de 2016 e o 3° de 2017, que se comparam com 8 mil milhões, por exemplo, de Paris) e com tendência a ter pouca liquidez. Mas, por outro lado, oferece oportunidades de negócios com boas taxas de rentabilidade, devido aos preços baixos que os investidores podem encontrar no contexto de um país com um crescimento económico robusto", salienta Jorge Figueiredo, sócio da PwC, fazendo eco da conclusão de que Lisboa continua a ser considerada "interessante" pelos investidores. De resto, o comportamento económico do país, pela mão de "um governo socialista minoritário que prossegue políticas antiausteridade", é apontado como "uma das surpresas positivas dos últimos dois anos", segundo o estudo, onde os inquiridos salientam, ainda, o dinamismo de nichos de mercado, nomeadamente o residencial para estudantes.

Este otimismo generalizado não consegue esconder, porém, sinais de alerta. Entre eles está a crescente consciência de que poderá estar a chegar ao fim o ciclo de taxas de juro baixas — o que pode retirar competitividade ao investimento imobiliário face a outras opções de rentabilidade — ou a escassez de ativos core disponíveis, sem esquecer a instabilidade geopolítica, inimiga declarada do investimento, que continua a lançar incertezas em vários mercados. 

Sector em mudança 

O sector imobiliário está a transformar-se, mais rapidamente do que seria previsível há poucos anos, no sentido de encontrar respostas para as novas exigências resultantes de fatores sociais, demográficos e tecnológicos, com destaque para as modernas formas de trabalhar e de vivência urbana. O crescente fenómeno do coworking é um dos sintomas dessa nova vaga, de que dá conta o estudo "Emerging Trends Europe", tal como o facto de o segmento da logística ter assumido o comando da tabela das áreas de negócio mais dinâmicas, muito graças ao comércio eletrônico. O conceito de espaço como um serviço a utilizar e não um fim em si mesmo vai ganhando terreno, solicitando novos modelos de negócio. "O estudo realça que começa a haver mais procura por projetos imobiliários com usos mistos, ou seja, que tenham, em proximidade, uma parte de habitação, outra de comércio e outra ainda de escritórios, em vez do modelo clássico assente em grandes urbanizações servidas por vias rápidas e baseado no uso do automóvel para chegar aos parques de escritórios e a um grande centro comercial", explica Jorge Figueiredo, responsável pela PwC em Portugal. Na mesma linha se insere a crescente procura por projetos imobiliários ligados ao residencial para estudantes ou a estruturas de assistência à Terceira Idade.

In Expresso, 25 de novembro de 2017

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