Turismo criou 60 mil empregos em 18 meses

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Confederação do Turismo de Portugal assinala o Dia Mundial do Turismo com um documento para a competitividade do setor nas regiões. 

Em cerca de ano e meio, o turismo terá criado 60 mil postos de trabalho, segundo estimativa da Confederação do Turismo de Portugal (CTP). A crescer há três anos consecutivos, o setor nota agora falta de recursos humanos e de políticas para manter a competitividade do país que preparem o próximo ciclo recessivo.

“Dentro dos grandes desafios nacionais para o Turismo, há desafios regionais, pelo que pedimos à [consultora] PwC que elaborasse um roteiro com medidas para a competitividade para as regiões”, explicou Francisco Calheiros, presidente da CTP, em entrevista ao Dinheiro Vivo. O roteiro, que será apresentado esta quarta-feira à tarde no The Yeatman Hotel, em Gaia, contém nove áreas prioritárias.

O presidente da confederação destaca três como prioritárias: os recursos humanos, o Ministério do Turismo e a desburocratização.

“O turismo cresceu muito e não houve preparação suficiente de quadros e de colaboradores para fazer face a esta procura”, aponta Calheiros, reconhecendo que temos “boas escolas de Turismo”, que este ano admitiram mais de três mil alunos, mas que “só vão estar formados dentro de três anos”.

O setor precisa de conquistar atratividade, ainda que tenha sido “dos que mais têm contribuído para criar emprego”, inclusive pagando melhores salários. “Não tenho dúvidas que, dentro de pouco tempo, os salários vão subir”, admite o presidente da CTP, reportando escassez de pessoal.

Com perspetivas de, ainda este ano, chegarmos aos 50 milhões de dormidas, o setor torna a pedir representatividade proporcional a nível de governação. Um Ministério do Turismo poderia centralizar questões que, hoje em dia, “estão dispersas pelo Ministério da Economia, das Finanças, dos Negócios Estrangeiros, do Ambiente, do Equipamento” e ainda chamar a si a Secretaria de Estado dos Transportes. “Precisávamos também de uma maior elasticidade nas regras da contratação pública a que está sujeito o Turismo de Portugal, porque se houver algum incidente temos de reagir rapidamente e não estarmos atados a burocracias”, reclama Calheiros.

Preocupada com a situação económica das empresas do setor, às quais “ainda não chegou com a força que precisávamos” a prosperidade do turismo, a CTP defende que é altura de diminuir alguns dos custos de contexto e simplificar procedimentos. 

“Se pensar em abrir um hotel, verá a quantidade de custos que nos penalizam bastante, desde a energia, à qualidade do ar, aos direitos de autor e conexos, que não ajudam em nada. Este Governo foi repescar o Simplex, que o anterior Executivo deixou cair e mal, e o Turismo ficou extremamente grato, mas ainda há trabalho a fazer”, explicou o presidente da CTP.

Entre os custos de contexto para as regiões, o estudo da PwC recorda, também, o peso das portagens nas ex-scut (“deviam ser abolidas, senão precisam do pagamento simplificado para turistas”, diz Calheiros) e da falta de investimento em infraestruturas, que “o turismo evidenciou, como os transportes públicos ou a limpeza das cidades ao fim de semana”. 
 

Medidas para a competitividade 

1) Recursos humanos. Requalificar desempregados de outros setores, melhorar salários e facilitar contratos temporários. 

2) Ministério do Turismo. Tratar o setor com a devida importância, dando autonomia para resolver crises e centralizar decisões, assumindo a pasta dos Transportes. 

3) Qualidade de vida. Criar condições para os turistas começa por dar qualidade de vida a quem cá mora. Urge investir em transportes públicos. 

4) Consolidar empresas. Aproveitar o ciclo de crescimento para preparar a próxima recessão no turismo, capacitando empresários e eliminando a concorrência desleal no setor. 

5) Investir em promoção. Focar (mais) esforços online com orçamentos nacionais que não se comparam ao de algumas empresas é o desafio a vencer, mas tem retorno. 

6) Estimular sustentabilidade. Deveriam ser criados mecanismos financeiros e fiscais de apoio à sustentabilidade ambiental e beneficiados os planos de negócios que incluam medidas nesse sentido. 

7) Facilitar a mobilidade. O aeroporto do Montijo, previsto para 2022, já virá tarde e esse atraso pode pôr em causa o crescimento do turismo. Nas ex-SCUT é preciso facilitar o pagamento a turistas. 

8) Melhorar informação. A qualidade e cobertura da informação estatística para o Turismo em Portugal é escassa e deve ser melhorada para apoiar decisões e atrair investimento. 

9) Taxas e taxinhas. O Simplex ajudou mas ainda há muito a simplificar no Turismo. O setor pede menos taxas, desburocratização e desmaterialização, além do acesso a uma justiça económica célere.

In Dinheiro Vivo, 27 de setembro de 2017

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Pedro Palha

Senior Manager, PwC Portugal

Tel: +351 213 599 651

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