Que competências terão os gestores do futuro?

Desde há uns anos a esta parte, os CEO têm-nos revelado como o mundo se está, efetivamente, a alterar, de que forma as megatendências afetam os negócios nos seus sectores e como se têm vindo a adaptar às novas realidades. Este ano procurámos também entender de que forma os CEO entendem as novas perceções dos seus stakeholders, o que procuram comunicar às novas audiências, o que já estão as empresas a fazer para responder a estas novas necessidades e que ferramentas estão a utilizar.

Nos resultados do estudo deste ano, os CEO portugueses mostram-se um pouco mais confiantes no crescimento da economia global, mas menos confiantes no crescimento das suas empresas.

Anteveem um maior número de riscos, à medida que o mundo se torna cada vez mais complexo e com um maior número de variáveis que é necessário considerar, tais como o cibercrime, o aumento da carga fiscal e a procura por novas competências fundamentais para enfrentar os desafios que as atuais organizações enfrentam.

O aumento da complexidade está a levar os CEO a reavaliarem a forma como criam valor e mais de 90% dos CEO portugueses concorda que o sucesso dos seus negócios no século XXI será definido por algo mais do que os lucros financeiros. De facto, a rendibilidade depende da sua capacidade para criar valor a um crescente número de stakeholders e que a responsabilidade social corporativa também deverá passar a estar no centro da estratégia das empresas, como fator fundamental de preservar uma imagem de fiabilidade da organização.

Verificamos também que 82% dos CEO nacionais referem que já reportam os seus dados financeiros e não financeiros para satisfazer as expetativas dos seus stakeholders, sendo que, 60% procura capitalizar as tecnologias para interagir melhor com estes.

Existe, de facto, uma oportunidade para aumentar o foco nos clientes, na definição de novas estratégias e, para 92% dos CEO portugueses entrevistados, os clientes são os stakeholders que mais impacto têm na definição das suas estratégias.

Atualmente, o enfoque na criação de valor para o acionista, no curto prazo (seja ele trimestre ou ano), tende, cada vez mais, a ser redutor e a não assegurar congruência com estratégias que visem a sustentabilidade do negócio. Incluir a criação de valor a todos os stakeholders no objetivo e estratégia de longo prazo da empresa, amplia o contexto da gestão, colocando-a num equilíbrio económico mais realista, gerando novas capacidades de criação de valor. As empresas com maior agilidade e flexibilidade para se adaptarem às novas realidades, com capacidade para realizarem os investimentos necessários e acompanharem os avanços tecnológicos terão certamente maior sucesso no futuro.

As alterações nas necessidades do cliente, as evoluções tenológicas e a emergência de novas formas de integração organizacional estão a provocar alterações radicais nos modelos de negócio das empresas que procuram aproveitar estas oportunidades, tais como, o desaparecimento de líderes de mercado com décadas de experiência ou o ganhar de relevância de novas formas de interação entre a empresa, os seus clientes e a sociedade em geral. Quais os profissionais que estarão melhor preparados para liderar em tempos de tamanha volatilidade?

De igual modo, muitas empresas que operam em mercados emergentes terão que lidar, em breve, com a primeira transferência de liderança entre gerações. Na realidade, este “gap de gerações” está-se a alargar, resultando este facto, em parte, das famílias atuais terem menos filhos e cada vez mais tarde.

A próxima geração de líderes empresariais será composta pelos chamados “digital natives”, que gerem toda a sua vida através dos seus dispositivos móveis e gadgets tecnológicos. 

Os objetivos de vida destes novos líderes são muito diferentes dos dos seus antecessores. A nova geração, que agora emerge no mercado de trabalho, a denominada “Geração Z”, já nasceu sob a influência do mundo tecnológico durante toda a sua vida, e este fato terá um impacto enorme no mundo empresarial nas próximas décadas.

Apesar de existirem exceções a cada regra, o fator mais importante para a sobrevivência de uma empresa é a sua ênfase em inovação e na constante reinvenção do seu negócio. O tema chave é sobretudo a flexibilidade!

Estar atento ao mercado, entender as suas tendências (globais e locais), escutar os consumidores e os stakeholders e implementar projetos inovadores são fatores que não podem ser ignorados quando se pretende garantir a longevidade de determinada empresa.

Importa assim garantir uma rápida capacidade de adaptação a circunstâncias mutáveis, quer seja no setor, no país, junto dos colaboradores ou mesmo dos clientes. Uma empresa que aprenda a adaptar-se e mude, de acordo com os requisitos do mercado (regulatórios, de consumo ou tecnológicos), evita o trauma de declínio (em termos de crescimento) e as consequências de alterações inesperadas na liderança, que em último caso, podem colocar em causa a longevidade da empresa.

No limite, a sobrevivência de uma empresa pode ser considerada como o indicador supremo da performance.

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O estudo anual da PwC “Global CEO survey” é uma das mais relevantes análises anuais que fazemos, sendo um barómetro de opinião de alguns dos mais importantes líderes empresariais, que nos mostram de que forma estão a reagir às tendências económicas globais, desde os temas que mais os preocupam, às oportunidades que mais os estimulam."


Luís Boquinhas

Líder de Mercados da PwC Portugal 

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