Confiança no crescimento


Em Portugal, a percentagem de CEO que têm confiança na economia global aumentou e 37% dos CEO portugueses considera que o crescimento económico global tenderá a aumentar. Porém, as suas expectativas de crescimento no que respeita aos seus negócios e apenas 40% dos CEO está muito confiante. Ainda assim, este valor é superior às expectativas dos líderes globais (35%) e da Europa Ocidental (36%).

1. Crescer em tempos difíceis

O ambiente empresarial está cada vez mais complexo, tornando-se difícil de interpretar e de as empresas se adaptarem ao mesmo.

As preocupações dos CEO mantêm-se, em relação ao ano passado, nomeadamente a regulamentação excessiva, a disponibilidade de competências essenciais, a incerteza geopolítica, as cargas fiscais e a resposta do governo ao défice fiscal e à dívida. No entanto, o nível de preocupações é mais elevado hoje do que nos últimos 5 anos.

Em segunda posição e a sugerir alguma atenção, a regulamentação excessiva é uma preocupação para 83% dos CEO nacionais, registando um aumento de 10% face a 2014.

No que diz respeito às ameaças empresariais às perspetivas de crescimento, 67% dos CEO nacionais demonstram preocupação com as mudanças nos gastos e comportamentos do consumidor, registando nesta matéria um aumento de 22% face ao ano anterior. A disponibilidade de competências essenciais (60%) regista uma queda de 17% face aos resultados do ano anterior mas continua a ser considerada um fator inibidor relevante. 53% dos CEO nacionais referem ainda as ciberameaças incluindo a falta de segurança de dados, registando um decréscimo de 12% face aos resultados do ano anterior.

 

A maior preocupação dos CEO portugueses é o aumento da carga fiscal, enquanto que no contexto global a regulação excessiva é o que mais preocupa os CEO

Q: Apresenta-se em baixo uma lista de ameaças económicas, políticas e sociais que podem afetar potencialmente as expetativas de crescimento da sua empresa. Quão preocupado está (caso esteja preocupado de todo), com cada uma delas?

2. Onde crescer?

Tornou-se difícil prever onde haverá crescimento, havendo uma aposta global por parte dos CEO nos mercados ditos tradicionais, como é o caso dos Estado Unidos, a China e a Alemanha.

Apesar de continuar a existir investimento nos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), estes deixaram de ser vistos como um conjunto e passaram a ser avaliados e analisados individualmente, casuisticamente.

Para os CEO em Portugal, após Espanha e Alemanha, Angola continua a ser o país mais relevante para crescer, representado por um quarto dos respondentes.

O tema Angola ainda está na agenda de muitos CEO portugueses e o atual ambiente macroeconómico, a par da queda dos preços do petróleo, vieram trazer uma necessidade de adaptação e ajustamento por parte das empresas portuguesas.

 


Os três países considerados mais importantes para o crescimento

Q: Ao longo dos próximos 12 meses, quais são os 3 países, excetuando o país no qual tem sede, que considera mais importantes para as expectativas de crescimento gerais da sua empresa?

A pergunta que se impõe é: daqui a quanto tempo voltará Angola a crescer ao ritmo do passado?
Relativamente aos PALOP, Angola continua a ser o país mais relevante para crescer, de acordo com cerca de um quarto dos CEO em Portugal, seguida pelo Brasil e Moçambique.

Angola: Quanto tempo tem que esperar por oportunidades?

O tema Angola continua na agenda de muitos CEO portugueses e o atual ambiente macroeconómico, a par da queda dos preços do petróleo, vieram trazer uma necessidade de adaptação e ajustamento por parte de muitas empresas portuguesas com investimentos em Angola. De acordo com o Fórum Económico Mundial, os países africanos ricos em recursos naturais, como Angola ou Nigéria enfrentam hoje sérios desafios que derivam da recente queda dos preços do petróleo. Estes países deverão saber encontrar formas alternativas de financiamento das suas economias.

Angola vive agora no contexto de desequilíbrios económicos e de prognósticos para os anos vindouros preenchidos de incertezas sobre a evolução do principal produto de exportação do país – o petróleo. Este, continua a representar ainda mais de 30% do PIB e mais de 90% das exportações de Angola. No entanto, e graças a mais de uma década de estabilidade política e de crescimento económico elevado, muitos analistas esperam que Angola consiga capitalizar todos os investimentos bem efetuados na última década. 

De facto, neste período, a percentagem de estudantes na educação primária quase triplicou, as taxas de mortalidade de crianças com menos de 5 anos desceu e a esperança média de vida cresceu mais de 5 anos. Estes progressos sociais são muito relevantes e os ganhos na qualidade de vida dever-se-ão traduzir numa emergente classe média de consumidores, com melhores níveis de educação e que deverão ser a futura classe trabalhadora de Angola e os pilares para um novo crescimento económico a médio-longo prazo, menos dependente da indústria extrativa.

Estamos confiantes de que Angola está no caminho certo e que tem vindo a definir as prioridades acertadas. Se Angola conseguir executar os seus planos económicos e mobilizar os recursos de forma eficiente, a economia poderá voltar a níveis de crescimento similares aos do passado recente.

3. Para além da globalização

O contexto mundial está a alterar-se e não apenas devido às tendências económicas e geopolíticas globais. Existe uma mudança fundamental em curso, nomeadamente de um mundo globalizado para um com várias dimensões de poder, crescimento e ameaças, uma transição que denominamos de multipolar.

De facto, 72% dos CEO nacionais esperam um aumento da regionalização do comércio global, 80% preveem diferentes sistemas de regras, leis, direitos e deveres e 92% antecipam diferentes sistemas de valores e crenças na sociedade.Não é portanto de admirar que existam tantas preocupações com o crescimento e de onde este poderá vir.

Esta maior transferência de poderes traz mais oportunidades, mas também mais ameaças. Diferentes pontos de vista, exacerbados por inseguranças económicas, poderão levar certamente a um maior número de conflitos.

 

CEO têm de enfrentar um mundo mais complexo e multipolar

Q: Para cada alternativa, selecione a que acredita que melhor demonstra a direção que o mundo está a tomar.

4. Definir o rumo num mundo incerto

Os CEO entendem que, apesar dos tremendos desafios que enfrentam na gestão atual dos seus negócios, também necessitam de olhar em frente e garantir que estão preparados para um futuro mais complexo, global e difícil de prever.

Para enfrentarem estes desafios os CEO estão a focar-se em três competências essências:

•  Maior aposta na análise das necessidades e expectativas dos clientes e na definição do seu propósito organizacional
Atualmente, os Clientes e os restantes stakeholders possuem novas necessidades e expectativas. Existe portanto a necessidade de ter foco ainda maior nestas necessidades e na (re)definição do propósito corporativo ou daquilo que se pretende que a empresa possa representar para a sociedade;

 

•  Aproveitar a tecnologia e a inovação para definir estratégias mais adequadas ao atual contexto económico
Para definir estratégias que consigam responder eficazmente a este aumento de expectativas, os CEO já utilizam as tecnologias para estarem mais próximos dos seus Clientes, no entanto, são desafiados para alinhar todo o seu modelo operacional com estas expectativas;

•  Desenvolver novas formas de medir e comunicar o sucesso dos negócios
Os CEO procuram, cada vez mais, medir o impacto e o valor da inovação e identificar quais os principais riscos para os stakeholders. As empresas fazem face a estes desafios através de um maior foco na recolha de informação e na tecnologia, por forma a compreenderem melhor os processos de negócio, através da medição de um maior número de variáveis do negócio.

É necessário comunicar de forma consistente e fiável um conjunto de temas novos e questões relevantes, através dos múltiplos canais de comunicação.

Questões-chave sobre crescimento?

A sua empresa ajustou o modelo de negócio operacional para salvaguardar eventuais aumentos no custo do capital, à medida que as taxas de juro sobem e os mercados cambiais se tornam mais voláteis?


Está a avaliar os riscos corretos, relacionados com as novas dinâmicas políticas, como por exemplo a incerteza geopolítica e a cibersegurança, à medida que estas substituem as preocupações relacionadas com a crise financeira?


O que está a fazer a sua empresa para se preparar e para dar respostas à crise?

A sua empresa definiu uma estratégia, para um mundo mais diverso, onde a autoridade e a influência se encontram agora mais distribuídas?


De que forma está a preparar a sua empresa para um maior número de concorrentes não-tradicionais, agora e no futuro?

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