177.800 portugueses desenvolvem o país através do mar

Em meados de 2018, a Comissão Europeia, apresentou o documento, “The 2018 Economic Report on EU Blue Economy”, que indica que, em 2016, em Portugal, o número de pessoas empregues na economia do mar era de cerca de 177.800 pessoas. O mesmo relatório indica que, entre 2009 e 2016, a economia nacional Portuguesa, cresceu 3,5% e a economia do mar nacional cresceu 26,7%, fazendo com que o peso da economia do mar, na economia portuguesa, crescesse 22,4%.

Independentemente de se poder fazer sempre melhor e do facto de a oportunidade mar não estar a ser totalmente aproveitada pelo país, não existem dúvidas de que a performance da economia do mar, nos últimos anos, tem sido bastante positiva e isso deve-se, em grande medida, às pessoas que trabalham nas fileiras do turismo azul, alimentar do mar, transportes, portos e logística, construção naval, conhecimento, segurança e serviços relacionados com o mar.

De acordo com os últimos dados analisados no LEME, 2017, foi um ano forte para a economia do mar, com crescimentos de: 35% no número de passageiros em embarcações na via navegável do Douro, 27% da tonelagem de arqueação bruta dos navios do Registo Internacional Português, 23% no número de check-in novos de embarcações em marinas, 17% no volume de negócios da construção naval dos associados da AIN, 11% dos proveitos de estabelecimentos hoteleiros no Algarve e Ilhas e 9% no valor das exportações dos produtos da fileira alimentar do mar. Os números que se conseguiram apurar para o terceiro trimestre de 2018, indiciam que o ano passado não foi um ano tão forte como o de 2017, no entanto, não se antevê uma redução geral da atividade no mar.

No mundo, conforme relata o projeto LEME, entre 2006 e 2017, a Ásia – e em particular a China – foi a região dominante ao nível das pescas, aquicultura, movimentação de carga nos portos, e construção naval. O top 10 mundial de portos de contentores está todo concentrado na Ásia, sendo que sete dos maiores portos de contentores estão na China. Só ao nível da energia offshore, marinha mercante, e turismo marítimo é que a América e a Europa superam a Ásia. Os dez anos até 2017 também observaram um crescendo de problemas ambientais (particularmente derrames de petróleo) e pirataria marítima (mais de 3.800 pessoas reféns, tendo 31 delas sido assassinadas por piratas, principalmente na Somália, Nigéria e Indonésia). Os Estados Unidos da América, a China e a Rússia têm as três principais marinhas de guerra. A América do Sul e a África são os exemplos mais óbvios de regiões com um enorme potencial que permanece por explorar.

O tema central da nona edição do projeto LEME – Barómetro PwC da Economia do Mar é a “A Importância da Geoestratégia Marítima”. Neste contexto, em Portugal, foram inquiridos 50 líderes de entidades relacionadas com a economia do mar. A maioria dos lideres inquiridos (60%) considera que potenciais investidores externos atribuem elevada importância à localização geográfica de Portugal quando analisam oportunidades de investimento na economia do mar. Adicionalmente, 66% considera que podem existir estados que apenas procuram investir na economia do mar em Portugal por razões geoestratégicas. Os inquiridos adiantaram também, algumas sugestões para despistar investimentos com racional diferente do económico: (i) estar atento aos desenvolvimentos no âmbito das relações internacionais, (ii) antecipar prováveis investimentos de países, no quadro da ação geoestratégica desses países e articular a análise dos projetos com a informação proveniente do corpo diplomático e proveniente dos serviços de informação.

Miguel Marques, PwC Partner

"A maioria dos lideres inquiridos (60%) considera que potenciais investidores externos atribuem elevada importância à localização geográfica de Portugal quando analisam oportunidades de investimento na economia do mar."

Miguel Marques, PwC Partner

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