Quem trabalha em Learning & Development sabe que a função está em evolução permanente: da digitalização ao e-learning distintivo, do microlearning às learning experience platforms. A entrada da Inteligência Artificial (IA), a escassez de talento e a rapidez da obsolescência das competências aceleraram ainda mais uma área já muito dinâmica.
O L&D Global Sentiment Survey 2026, de Donald Taylor, no qual participaram mais de 3.500 inquiridos de mais de 100 países, a nível mundial, confirma este momento de rutura: pela primeira vez em 13 anos, os padrões históricos da função deixam de ser previsíveis. O setor entra em “território desconhecido”, pressionado pela IA, pela incerteza económica e por exigências crescentes de validação de impacto.
A IA acelera uma transição que já estava em curso, passando de:
No mesmo estudo, a IA continua a ser o desafio mais referido, ainda que com ligeira tendência decrescente. Em paralelo, ganham destaque a personalização da aprendizagem, o desenvolvimento de competências e a necessidade de demonstrar valor e impacto.
Na prática, na área de formação, a Inteligência Artificial está sobretudo a apoiar:
(i) a criação e curadoria de conteúdos;
(ii) a autoaprendizagem; e
(iii) a aplicação imediata no contexto de trabalho, acelerando também a produção e adaptação de materiais.
Sendo uma tecnologia ainda recente, a IA não está a reduzir a pressão sobre a função de L&D: está a aumentá-la. Multiplicam-se expectativas pouco realistas, cresce o ruído na tomada de decisão e tornam-se mais relevantes os temas de governação (dados, riscos, qualidade e ética).
Os desafios na área da formação concentram-se em:
1. adoção e integração da Inteligência Artificial com segurança e propósito;
2. demonstração de valor e impacto; e
3. inevitáveis restrições de orçamento e recursos.
Em paralelo, mantém-se a exigência de aumentar o engagement e a transferência para o trabalho, ao mesmo tempo que se redefine o papel de L&D – tratando a IA não apenas como um tema tecnológico, mas como uma alavanca estratégica e cultural.
“A Inteligência Artificial não reduz a importância de L&D; pelo contrário, reforça o seu papel na reinvenção das organizações. Implica a participação de L&D na governação das orientações estratégicas da organização.”
Para quem aprende, a IA traz uma nova tensão: mais acesso não significa, por si só, mais aprendizagem; mais conteúdo não garante mais competência. Sem desenho pedagógico e contexto, o risco é a superficialidade. O foco passa por garantir transferência para o trabalho e evitar dependência excessiva da tecnologia.
As organizações que conseguem resultados alinham a IA com a estratégia, investem em competências, integram a tecnologia em processos críticos e vão além de pilotos isolados. O PwC’s 29th Global CEO Survey reforça esta leitura com indicadores claros sobre a distância entre investimento e criação de valor.
Em Portugal, o CEO Survey da PwC indica que a GenAI já gerou ganhos de eficiência, mas também que uma transformação sustentável depende da capacidade das pessoas para tirar partido da tecnologia.
Este ponto não é novo: capacitação e envolvimento são fatores críticos de sucesso em qualquer programa de transformação.
Alguns exemplos que estão a ganhar tração na área da formação combinam tecnologia e intencionalidade pedagógica:
Isto exige menos “catálogo” e mais programas de formação em IA desenhados à medida das prioridades estratégicas, com agilidade para (re)alinhar à medida que a inovação e as necessidades do negócio evoluem.
O novo papel da formação é claro: transformar aprendizagem em valor mensurável, ligando diretamente desenvolvimento de competências a decisões, desempenho e resultados do negócio. A IA não reduz a importância de L&D; pelo contrário, reforça o seu papel na reinvenção das organizações. Implica a participação de L&D na governação das orientações estratégicas da organização.
A questão já não é se a IA vai mudar a formação; é como transformar o investimento em Inteligência Artificial em melhores experiências de aprendizagem e em resultados mensuráveis.
Na PwC’s Academy, apoiamos as organizações na sua transformação digital e no desenvolvimento de competências através de Inteligência Artificial. Ajudamos as organizações a transformar a utilização de tecnologia no trabalho diário em melhores decisões, equipas mais capacitadas e impacto mensurável.
O objetivo da PwC é impulsionar a utilização tecnológica, com vista à obtenção de vantagem competitiva, assente na forma como os colaboradores utilizam a própria tecnologia. Desenhamos programas de formação à medida, alinhados com a estratégia, o contexto e os desafios reais do negócio, incluindo upskilling em IA, requalificação de líderes e iniciativas de transformação sustentadas em competências com impacto. Em paralelo, expandimos continuamente o nosso portefólio de cursos de Digital & Analytics para responder às diferentes exigências do mercado. O nosso propósito é claro: garantir que o futuro está a ser reinventado, hoje mesmo, transformando o potencial da tecnologia em vantagem competitiva real.