29.º Global CEO Survey – Destaques de Portugal

Pressões tecnológicas e ciberameaças colocam a reinvenção no centro da estratégia dos líderes em Portugal

  • Press Release
  • Fevereiro 18, 2026

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6:06

Insights do 29.º CEO Survey da PwC

António Brochado Correia, Territory Senior Partner da PwC Portugal, revela os insights mais relevantes do 29.º CEO Survey. Veja o vídeo e fique a par das conclusões que estão a moldar a estratégia das organizações em Portugal e no mundo.


  • De acordo com o mais recente Global CEO Survey da PwC, os CEO portugueses estão mais confiantes no crescimento da economia global e nacional no próximo ano. No entanto, apenas 37% referiram que as receitas da sua empresa vão aumentar no mesmo período.

  • No que se refere à componente de tecnologia, a IA permanece ainda num nível de maturidade baixo: 67% das empresas não registaram impacto nas receitas e 19% reportaram um aumento de custos.

  • As ciberameaças são agora a principal ameaça para os CEO portugueses, em contraste com os CEO mundiais, que apontam a volatilidade económica como a principal ameaça.

  • Apesar do consenso sobre a necessidade de reinvenção, apenas 16% das empresas portuguesas consideram a inovação um elemento crítico para a sua estratégia.

  • Os CEO portugueses estão a despender quase seis vezes mais tempo em decisões de curto prazo do que de longo prazo, reduzindo o tempo para uma definição estratégica de longo prazo dos seus negócios.

O 29.º CEO Survey da PwC, que inquiriu 4.454 líderes em 95 países (com 73 CEO inquiridos em Portugal), revela que as empresas portuguesas enfrentam um momento decisivo, num país consciente da velocidade da mudança, mas ainda distante de transformar essa consciência em valor sustentável. 

Os indicadores espelham uma tendência inequívoca: 48% dos CEO portugueses receiam não conseguir acompanhar o ritmo imposto pela evolução tecnológica; 38% manifestam dúvidas quanto à sustentabilidade do atual modelo de negócio a médio e longo prazos; e 34% questionam a sua própria capacidade de inovar — percentagens que ultrapassam as médias globais. Paralelamente, 58% do tempo da liderança é absorvido por decisões de curto prazo, ficando apenas 10% dedicado ao desenvolvimento de estratégias com horizonte igual ou superior a cinco anos. 

48%

dos CEO portugueses receiam não conseguir acompanhar o ritmo imposto pela evolução tecnológica

A Inteligência Artificial surge como uma linha divisória determinante para o crescimento e a rentabilidade

A IA está a tornar-se um dos fatores mais determinantes para a competitividade empresarial, mas em Portugal continua a existir uma lacuna entre o investimento e o retorno. O estudo mostra que a IA está numa fase inicial e ainda pouco orientada para resultados. 67% das empresas não registaram impacto nas receitas e apenas 1% conseguiu aumentos, enquanto 19% reportaram subida de custos. Isto demonstra que, para a maioria das organizações, a IA ainda funciona mais como centro de custo do que como alavanca de valor.

A pressão para investir em IA é real – impulsionada por tendências globais, expectativas de stakeholders e riscos tecnológicos crescentes, mas a maioria das iniciativas permanece fragmentada e sem métricas de impacto claras. Além disso, a infraestrutura tecnológica e os modelos operacionais das empresas portuguesas revelam-se, muitas vezes, insuficientes para capturar ganhos de eficiência, automatização ou criação de novos fluxos de receita.

Isto cria uma linha divisória evidente – se, por um lado, temos as empresas que implementam IA com visão estratégica, foco em dados e integração transversal, preparando-se para melhorar margens e acelerar crescimento; por outro lado, temos as empresas que investem, mas não retiram valor – e que arriscam ver a rentabilidade deteriorar-se à medida que a tecnologia aumenta custos e complexidade sem contrapartida económica.

Num contexto global em que empresas líderes já apresentam ganhos operacionais significativos, Portugal corre o risco de ficar preso na fase de investimento, sem gerar retorno. A conclusão é clara: o país precisa de passar da adoção experimental à maturidade estratégica, capaz de transformar IA em vantagem competitiva real.

“2026 está a configurar-se como um ano decisivo para a IA. Um pequeno grupo de empresas já está a converter a IA em retornos financeiros mensuráveis, enquanto que muitas outras ainda enfrentam dificuldades para avançar para além dos projetos‑piloto. Esta diferença começa agora a refletir‑se na confiança e na competitividade – e ampliará rapidamente para aqueles que não atuarem.”

Mohamed Kande,Global Chairman da PwC

A confiança diminui à medida que as tarifas e os riscos cibernéticos se intensificam

Os CEO portugueses encontram-se perante uma nova geração de riscos, mais voláteis, mais tecnológicos e mais interligados – e a confiança dos stakeholders acompanha essa tensão. 

A cibersegurança é agora o principal risco para 37% dos líderes, refletindo um ambiente onde ataques se tornaram mais frequentes, mais sofisticados e com impacto mais elevado.  

Como resposta, 64% das empresas referiram já ter reforçado a sua cibersegurança, acima da média internacional, evidenciando que os CEO portugueses entrevistados reconhecem este risco de forma mais acentuada do que em outras geografias. 

64%

das empresas referiram já ter reforçado a sua cibersegurança, acima da média internacional

A pressão não vem apenas das ameaças externas

A confiança dos stakeholders – clientes, colaboradores, reguladores e parceiros – está a diminuir: 60% das empresas enfrentaram preocupações dos seus stakeholders no último ano, e 48% tiveram de responder a questões específicas sobre o uso responsável da IA. Isto mostra que a tecnologia não está apenas a gerar oportunidades e riscos operacionais, mas também novas expectativas éticas, reputacionais e sociais. 

Ao mesmo tempo, outros riscos estruturais como as alterações climáticas ou o aumento das tarifas continuam subestimados. 77% das empresas portuguesas não antecipam impactos relevantes das tarifas nas suas margens de lucro, muito acima da média global. Isto indica uma certa desconexão entre o risco real e o risco percecionado. 

Este conjunto de fatores cria um cenário em que as empresas portuguesas lidam simultaneamente com mais risco, em especial tecnológico e reputacional; menos confiança, que se traduz em maior escrutínio e maiores exigências; pressão acrescida para demonstrar adequados níveis de governo, transparência e responsabilidade. 

A soma destes elementos aumenta a complexidade da tomada de decisão e reforça a importância de uma estratégia de risco integrada, evolutiva e alinhada com as transformações tecnológicas e sociais. 

A reinvenção como imperativo estratégico

Com a IA ainda sem retorno, riscos em escalada e confiança fragilizada, a capacidade de reinventar modelos de negócio torna-se um dos grandes desafios e pode ser uma oportunidade para as empresas portuguesas se reinventarem

Contudo, a realidade atual mostra um desfasamento estrutural entre urgência e execução. 

A gestão continua centrada no imediato: 58% do tempo dos CEO é dedicado ao curto prazo e apenas 10% das decisões têm impacto daqui a cinco ou mais anos. Esta assimetria condiciona a capacidade de identificar oportunidades emergentes, construir novos modelos de negócio e antecipar mudanças estruturais. 

Embora quase metade das empresas (48%) tenha entrado em novos setores nos últimos cinco anos, a expansão permanece limitada: 69% obtêm menos de 20% das receitas nessas áreas. Isto indica uma diversificação prudente e incremental, sem a escala necessária para alterar trajetórias de crescimento. 

O estudo confirma ainda que a inovação não está a desempenhar o papel transformador que deveria. Apenas 16% das empresas a consideram crítica para a estratégia, o que evidencia um país onde a inovação existe, mas não é o motor central da reinvenção. 

Apesar dos desafios que moldam o contexto atual – da pressão tecnológica aos novos riscos – as empresas portuguesas mostram capacidade de adaptação e uma vontade clara de evoluir. A crescente atenção dos CEO à inovação e à reinvenção reforça que o futuro pode ser encarado com confiança: há espaço para crescer, transformar e criar valor de forma sustentada. Com visão estratégica e investimento contínuo nas pessoas e na tecnologia, as organizações têm hoje uma oportunidade real de se fortalecer e prosperar num cenário em rápida mudança. 

“Os resultados do 29.º Global CEO Survey da PwC mostram que existe, da parte dos CEO entrevistados, uma maior consciência dos desafios, mas ainda não estamos a transformar essa consciência em valor. Pelo menos de forma consistente. As empresas portuguesas sabem que precisam de acelerar – na adoção da Inteligência Artificial, no reforço da confiança dos stakeholders e na capacidade de se reinventarem, mas continuam condicionadas por pressões de curto prazo. A mensagem desta edição é inequívoca: a reinvenção deixou de ser opcional. O que está em causa já não é acompanhar o ritmo do mercado, mas sim garantir a relevância das empresas portuguesas na próxima década. Com uma visão estratégica existem várias oportunidades de crescimento e de reinvenção, em alguns casos, em novos setores de atividade.”

Luís Filipe Barbosa,Financial Services Market Leader da PwC Portugal

Sobre o 29.º Global CEO Survey da PwC

A PwC inquiriu 4.454 CEO em 95 países e territórios, 73 líderes no território português, entre 30 de setembro e 10 de novembro de 2025. Os dados globais e regionais foram ponderados proporcionalmente ao PIB nominal dos países. Os dados por setor e país baseiam-se na amostra completa de 4.454 CEO (73 líderes em Portugal).

Evento de apresentação do 29.º CEO Global Survey

Junte‑se à PwC e conheça de perto as principais tendências que estão a moldar o futuro das organizações. Contamos consigo no próximo dia 26 de fevereiro.

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