Inteligência Artificial

GenAI e vibe coding: como as empresas estão a acelerar a inovação

Vibe Coding
  • Janeiro 14, 2026

A Inteligência Artificial Generativa (GenAI) está a transformar profundamente o desenvolvimento tecnológico, tanto em grandes organizações quanto no ecossistema das startups.

Nas empresas, o desafio já não é experimentar, mas sim integrar a GenAI de forma estruturada, com métricas e processos que garantam valor real e escalável. Nas startups, a democratização do desenvolvimento, impulsionada por conceitos como vibe coding, aproxima a ideia do protótipo, acelerando a inovação e reduzindo barreiras técnicas.

Nas grandes organizações, o sucesso depende de uma abordagem de transformação assente em:

  • governação clara e políticas de uso responsável;
  • foco nos casos de uso com maior impacto; e
  • frameworks de decisão robustos para escalabilidade.

A medição de impacto deve ser contínua, baseada em KPIs e retorno do investimento, promovendo uma cultura de validação crítica dos resultados gerados pela IA. 

No contexto das startups, o vibe coding permite a fundadores sem background técnico validar ideias e construir MVPs rapidamente, aproximando o ritmo do produto ao do mercado. No entanto, é essencial distinguir entre prototipagem rápida e produção escalável, reconhecendo as limitações atuais destas ferramentas.

Em síntese, a GenAI está a criar uma ponte entre a robustez das grandes empresas e a agilidade das startups. O futuro pertence a quem conseguir equilibrar velocidade com responsabilidade, experimentação com escalabilidade, transformando a GenAI numa vantagem competitiva sustentável.

Quer saber como estas tendências podem transformar a sua organização?
Neste artigo, Ricardo Pacheco Almeida e Eduardo Barroso da Silva (PwC Portugal) e Rui Gouveia (Build Up Labs) partilham insights sobre GenAI, vibe coding e estratégias para escalar inovação com responsabilidade. Explore as práticas recomendadas e descubra como aplicar estas soluções ao seu negócio. Fale connosco e transforme desafios em oportunidades.

Vibe coding: origem, significado e impacto na programação

O advento da Inteligência Artificial Generativa veio trazer ao mundo todo um leque de novos termos e especializações. Um desses termos é o vibe coding. 

Não sendo uma definição académica ou sequer formal, o vibe coding é um espelho do seu próprio tempo: é um conceito “viralizado” com base num tweet feito por Andrej Karpathy, data scientist e ex-diretor de AI na Tesla, no começo de 2025. Nesse post, Andrej comenta que há um “novo tipo de programação chamado vibe coding, em que nos entregamos completamente aos vibes (…)”.

O termo acabou por ficar sedimentado no discurso da área e, hoje, vibe coding pode ser descrito como utilização intuitiva de assistentes de código baseados em GenAI. Em vez de escreverem especificações detalhadas ou cada linha de sintaxe, os programadores confiam na capacidade da ferramenta para inferir a intenção a partir do contexto partilhado, do próprio projeto, e do código criado. O programador define a direção, a vibe, e a solução gera a implementação de forma independente.

É também relevante distinguir vibe coding de assisted coding ou AI-assisted pair programming, um conceito emergente na academia e indústria em que programadores profissionais utilizam GenAI para acelerar as suas tarefas de desenvolvimento. No entanto, assisted coding não pressupõe uma confiança total da ferramenta que gera o código: apenas acelera tarefas pontuais, claramente definidas, e sobre as quais o programador tem conhecimento prévio. É uma mudança de papel, em que o profissional age menos como um escritor e mais como um editor ou curador.

Boas Práticas na utilização de GenAI

Dados recentes da indústria indicam que a grande maioria dos profissionais de tecnologia já utilizam estas ferramentas no seu trabalho. Assim, a fase de experimentação com GenAI parece estar a terminar, pelo que estamos a entrar na fase de medir resultados.  

Para os programadores, a perceção geral é bastante positiva, pois a fricção diminui e sentem-se mais rápidos. E, de facto, em termos brutos, estão a produzir mais: equipas com alta adoção de GenAI podem submeter quase o dobro dos pull requests (PRs). No entanto, o esforço de revisão aumenta.  

Porquê este desfasamento? Há dois motivos principais: sem a orientação adequada, tende a gerar blocos de código maiores e descontextualizados, o que torna a revisão mais complexa e porque é tão eficaz a gerar código em volume que as equipas podem não conseguir revê-lo.  

Para conseguir alavancar o potencial da GenAI, as equipas técnicas devem formar recursos, criar metodologias holísticas e melhores práticas. Antes de escrever qualquer código, é essencial:  

  • criar developer handbooks, para orientar agentes GenAI; 
  • definir regras ao nível do software GenAI (e.g. Cursor Rules); e 
  • estabelecer guidelines (e.g. guidelines de projeto, estrutura de projeto com definições semânticas para cada pasta ou módulo). 

Arquitetura de prompting e gestão de contexto

Tal como num projeto típico de desenvolvimento de uma solução, é também essencial ter um âmbito fechado bem definido. As ferramentas de GenAI, em particular os modelos Claude, têm a tendência de fazer sempre um pouco mais do que é pedido. Assim, é essencial saber quais são as funcionalidades a desenvolver, para daí criar um conjunto de tarefas de cariz técnico, orientadas às funcionalidades definidas (backlog). O agente que gera código pode então desenvolver os items concretos identificados no backlog. 

Todas estas fontes de informação consomem muita da janela de contexto dos modelos. A janela de contexto é a quantidade máxima de informação que o modelo consegue "ver" e processar de uma só vez. Esta informação, medida em tokens (palavras ou partes de palavras), inclui tanto o input (as suas instruções e o histórico da conversa) como o output (a resposta gerada). Funciona como a memória de curto prazo do modelo. Se uma conversa exceder o limite, o modelo "esquece" o que foi dito no início, e perde o contexto anterior. É essencial: 

  • documentação objetiva (com frases curtas e diretas); 
  • evitar informação irrelevante; e 
  • garantir que o contexto cabe na janela do modelo. 

Para as grandes organizações, como referido anteriormente, o desafio já não é a adoção da ferramenta, mas a sua conversão em valor de negócio mensurável e escalável. As empresas bem-sucedidas tratam a IA como um problema de transformação, não como um problema de ferramentas tecnológicas.  

Adotar esta mentalidade de transformação exige que a ambição estratégica da empresa para a GenAI seja clara e incremental. O primeiro passo é estender o modelo de governação existente para abranger esta nova tecnologia, definindo quem tem responsabilidade pelo desenvolvimento e monitorização, e como garantir que o seu uso é responsável e cumpre as obrigações legais. Sem esta estrutura de governação, as iniciativas de IA permanecem experiências isoladas, incapazes de escalar e vulneráveis a riscos legais e de reputação.

Framework de priorização e escalabilidade dos casos de uso

Com a governação definida, a liderança deve focar-se nos casos de uso, não na tecnologia. Isto implica:

  • identificar processos com maior potencial de automação;
  • avaliar impacto vs complexidade numa matriz de decisão; e
  • escolher entre construir, comprar ou adaptar soluções.

A implementação bem-sucedida depende de um ecossistema coeso de tecnologia e pessoas. As empresas precisam de uma framework de decisão para garantir que as ferramentas são escaláveis e as decisões auditáveis. Por isso, a gestão da mudança é essencial, e deve focar-se na formação e na definição de políticas de uso responsável que ensinem os colaboradores a validar, e não apenas a aceitar, os resultados da IA.

Finalmente, as organizações que extraem valor medem o que realmente importa. O sucesso é o impacto mensurável em indicadores de negócio (KPIs) e o retorno do investimento (ROI). Isto exige uma monitorização contínua do desempenho e a recolha de feedback dos utilizadores. Só este ciclo de implementação metódica e aprendizagem permite provar o valor da GenAI para além da experimentação, transformando o investimento em resultados sustentados.

Em suma, o vibe coding representa a tentação da velocidade fácil, mas é uma armadilha que gera dívida técnica e risco. O assisted coding profissional é uma técnica para aumentar e acelerar o processo de desenvolvimento. O programador passa a ter um papel mais próximo do de revisor ou até product owner. O futuro do desenvolvimento de software não passa pela substituição do engenheiro, mas pela sua transformação: de um "escritor de código" para um arquiteto de intenção, um validador crítico de lógica, que garante a qualidade final, segurança e conformidade da solução.

Na opinião de Rui Gouveia, CEO da Build Up Labs, o vibe-coding reduz o atrito entre a ideia e o protótipo.

A ponte entre a estrutura e a agilidade

A Inteligência Artificial Generativa está a alterar o equilíbrio entre dois mundos que, até agora, pareciam opostos: a robustez das grandes organizações e a agilidade das startups. Por um lado, as empresas consolidadas procuram transformar a adoção tecnológica em valor mensurável, através frameworks e métricas rigorosas, por outro lado, temos empreendedores exploram a liberdade de prototipar ideias em tempo recorde, impulsionados por esta nova tendência do vibe coding. 

O denominador comum é claro: a GenAI não substitui pessoas, mas redefine papéis e acelera ciclos de inovação. Para as empresas consolidadas, o desafio é escalar com responsabilidade, garantindo segurança, compliance e retorno. Para as startups, é aprender rápido, validar hipóteses e tentar não confundir prototipagem com produção. 

O futuro será de quem conseguir equilibrar velocidade com responsabilidade e experimentação com escalabilidade. A GenAI não é apenas uma ferramenta, é uma mudança de paradigma que aproxima a estrutura das grandes empresas à criatividade das startups, criando um ecossistema em que inovação e a escalabilidade coexistem. 

Do vibe-coding ao produto escalável: boas práticas para empreendedores 

Durante anos, para um fundador de uma startup, a validação de ideias e o desenvolvimento de MVPs (produto mínimo viável) dependia sempre de acesso a equipas técnicas. Um fundador sem background tecnológico precisava de juntar um programador e um designer ou recorrer a uma agência, o que tornava o processo caro e lento. 

Hoje, com a chegada do vibe-coding, uma nova geração de ferramentas que combinam IA, no-code e automação contextual, estamos a abrir uma nova era de experimentação rápida. Os fundadores podem construir, testar e refinar conceitos de negócio em dias, não meses, e isso muda tudo. 

O vibe-coding é uma forma de traduzir intenção em execução. Em vez de aprender linguagens de programação, os fundadores passam a conversar com o próprio sistema em linguagem natural, descrevendo o que querem construir e ajustando à medida que o produto ganha forma. Isto reduz o atrito entre pensamento e prototipagem e aproxima muito mais o ritmo do produto ao ritmo do mercado. 

Mas há boas práticas a seguir.  

“Do”:

  • Explorar rápido e validar hipóteses. 
  • Manter o foco em aprender com o utilizador. 

“Don’t”: 

  • Confundir vibe-coding com produção escalável 
  • Ignorar custos e integração técnica.  

O futuro do desenvolvimento com GenAI: desafios e aceleradores

Estamos a ver a versão mais primitiva do que será uma revolução inevitável: a democratização do desenvolvimento de software. 

Hoje, o vibe-coding ainda não faz tudo. Faltam camadas de segurança, integração mais fluida com APIs complexas, e há pouca transparência sobre o que realmente acontece “por baixo do capô”. Ainda assim, estas são limitações temporárias.

Nos próximos anos, o vibe-coding será tão natural como abrir um documento e começar a escrever. Enquanto as empresas procuram transformar adoção em valor através de estrutura, métricas e frameworks, os empreendedores exploram a liberdade de prototipar ideias em tempo recorde, impulsionados por tendências como o vibe-coding. E isso mudará o próprio conceito de “time to market”. Para founders e mentores, a questão já não é se estas ferramentas vão amadurecer, é quem vai aprender mais rápido a tirar partido delas. 

No entanto, o denominador comum é claro: esta tecnologia não substitui pessoas, mas redefine papéis e acelera ciclos de inovação. O futuro pertence a quem conseguir equilibrar velocidade com responsabilidade, experimentação com escalabilidade, porque GenAI não é apenas uma tendência, é uma mudança de paradigma que vai moldar a próxima década. 

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Ricardo  Pacheco Almeida

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Eduardo Barroso da Silva

Eduardo Barroso da Silva

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