Janeiro 20, 2026
O estudo global da PwC, que envolveu cerca de 50.000 colaboradores, em 48 países e 28 setores, revela que os utilizadores diários de GenAI obtêm benefícios substanciais:
Estes profissionais também demonstram maior otimismo quanto ao impacto da IA em todas as métricas analisadas. O estudo revela que, comparando com os utilizadores ocasionais, os utilizadores diários têm mais probabilidade de ter registado benefícios substanciais na produtividade (92% vs 58%), segurança no emprego (58% vs 36%) e salários (52% vs 32%).
Contudo, o estudo conclui que as organizações devem fazer mais para ajudar os seus colaboradores a desenvolverem competências e prosperarem num contexto económico desafiante. Apenas 51% dos profissionais sem funções de gestão sentem que têm acesso às oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento de que necessitam – comparando com 66% dos gestores e 72% dos executivos mais seniores.
"A integração diária da inteligência artificial nas funções dos colaboradores traduz-se em ganhos concretos, tais como, uma maior produtividade, um reforço da segurança profissional e, em alguns casos na melhoria da remuneração. Para ampliar estes benefícios, as organizações devem saber ultrapassar os modelos mais tradicionais de formação, redesenhando processos e redefinindo a interação entre pessoas e tecnologia. O sucesso desta transformação será determinante para que a GenAI se afirme como um verdadeiro motor de crescimento inclusivo, evitando que se torne uma oportunidade perdida."
O Global Workforce Hopes & Fears Survey 2025 da PwC revela também que os utilizadores diários de GenAI são muito mais otimistas relativamente ao futuro das suas funções, nos próximos 12 meses (69%) em comparação com os utilizadores ocasionais (51%) e os não utilizadores (44%).
Apesar de 54% dos colaboradores afirmarem já ter usado IA no seu trabalho nos últimos 12 meses, o nível de utilização frequente continua baixo, sugerindo significativas oportunidades de crescimento e de acesso a benefícios mais tangíveis. Apenas 14% dos inquiridos utilizam GenAI diariamente, um pequeno aumento face aos 12% em 2024. Uma proporção ainda menor (6%) afirma usar IA generativa diariamente.
Embora as organizações estejam a investir em programas de formação que procuram acompanhar as novas tendências tecnológicas, esta capacitação não está a ser distribuída de forma equitativa. Apenas 51% dos colaboradores sem funções de gestão afirmam ter acesso aos recursos adequados para o seu desenvolvimento, face a 66% dos gestores e 72% dos executivos seniores.
Esta diferença acentua-se relativamente ao nível de utilização da IA: 75% dos utilizadores diários consideram ter acesso aos recursos necessários para aprender e evoluir profissionalmente, face a 59% dos utilizadores ocasionais.
A cultura organizacional, que abraça o erro como oportunidade para aprender, também varia. Atualmente, 54% dos colaboradores afirmam que as suas equipas valorizam o crescimento a partir do erro. Contudo, este valor sobe para 65% no setor tecnológico e baixa para 47% no setor dos transportes e logística. Estes resultados deixam claro que as organizações ainda têm margem para melhorar no apoio aos seus colaboradores e no desenvolvimento de competências que lhes permitam prosperar num contexto económico desafiante.
Embora 70% dos colaboradores sintam satisfação com o seu trabalho, pelo menos uma vez por semana, existem sinais evidentes de stress. Globalmente, 53% da força de trabalho está fortemente otimista relativamente ao futuro das suas funções, com claros diferenciais: apenas 43% dos profissionais sem funções de gestão sentem essa confiança, muito abaixo dos 72% dos executivos mais seniores.
A confiança na liderança também está dividida – 64% dos colaboradores compreendem os objetivos da sua organização, valor que diminui para cerca de 58% entre os não gestores e apenas 50% entre os profissionais da geração Z. Em contraste, os colaboradores da geração Millennials apresentam cerca de 65% e os Baby Boomers, aproximadamente, 72% de entendimento dos objetivos organizacionais, revelando níveis mais elevados de compreensão entre as gerações mais maduras.
No estudo deste ano, 55% da força de trabalho mundial enfrenta dificuldades económicas, por comparação com 52% em 2024. Pouco mais de um terço (35%) sente-se sobrecarregado pelo menos uma vez por semana, subindo para 42% na geração Z. Entre os Millennials, esta percentagem é de cerca de 34%, enquanto que entre os Baby Boomers é ainda menor (28%), refletindo variações significativas na gestão do stress e da sobrecarga entre as gerações.
Menos de metade (43%) teve um aumento salarial no último ano e menos de um quinto (17%) foi promovido. Num contexto económico mais difícil, a intenção de procurar aumentos salariais e progressões de carreira diminuiu face ao ano anterior, caindo de 43% para 37% e de 35% para 32%, respetivamente.
Contudo, as organizações que conseguem alinhar as suas equipas em torno da visão e objetivos da liderança têm um ativo poderoso: os colaboradores que se sentem fortemente alinhados com os objetivos da liderança estão 78% mais motivados do que aqueles que reportam um menor alinhamento.
No atual cenário de rápidas mudanças, as empresas que conseguirem capacitar os seus colaboradores e definirem estratégias claras para uma utilização ética e eficiente da GenAI estarão mais bem preparadas para enfrentar os desafios e oportunidades do futuro do trabalho.
A PwC entrevistou 49.843 trabalhadores em 48 países e regiões, abrangendo 28 setores, entre 7 de julho e 18 de agosto de 2025. Os dados são ponderados proporcionalmente em função da distribuição por género e idade da população ativa de cada país, para garantir que as opiniões refletem fielmente todas as principais regiões.