HR for Business – 8.ª Edição

Cultura, confiança e experiência: o papel da cultura na criação de valor

HR for Business – Cultura, confiança e experiência: o papel da cultura na criação de valor
  • Junho 02, 2026

A cultura organizacional é hoje um elemento central na forma como as organizações promovem a experiência das pessoas, sustentam o seu crescimento e respondem a contextos cada vez mais exigentes e competitivos.

Num setor como o da saúde, onde o fator humano assume um papel crítico, torna-se particularmente relevante compreender como a cultura organizacional influencia não só o desempenho, o compromisso e o bem-estar das equipas, mas também a qualidade e consistência do serviço prestado.

Na 8.ª edição da HR for Business, a equipa de Workforce da PwC contou com a participação de Catarina Real, Head of People & Wellbeing da Medicare, para partilhar a sua perspetiva sobre o papel da cultura organizacional na construção de equipas mais alinhadas, na experiência das pessoas e na criação de valor para o negócio.

Ao longo desta conversa, aborda-se a forma como a cultura influencia simultaneamente o funcionamento interno e a relação com o cliente, evidenciando o impacto direto que tem no desempenho, na consistência do serviço e na capacidade das organizações se afirmarem num contexto cada vez mais competitivo.

1. Na sua perspetiva, de que forma a cultura organizacional influencia não só a experiência e o bem-estar das pessoas, mas também a forma como as equipas desempenham e contribuem para os resultados da organização? Como se traduz, na prática, no contexto da Medicare?

A cultura organizacional funciona como o “fio condutor” que orienta comportamentos, decisões e prioridades. Quando é clara, coerente e vivida no dia a dia, cria um ambiente de confiança, segurança psicológica e propósito, elementos fundamentais para o bem-estar das pessoas.

No entanto, é um caminho que nem sempre é linear ou fácil. Num contexto marcado por constantes evoluções tecnológicas, transformações organizacionais e uma crescente diversidade de perfis e gerações, gerir e alinhar cultura torna-se um grande desafio. Exige adaptação contínua, capacidade de escuta e uma liderança próxima e alinhada. Ainda assim, temos uma forte consciência da importância deste tema e estamos a fazer o nosso caminho de forma consistente e intencional.

Na Medicare, a nossa cultura ganha forma através de valores muito concretos. A Proximidade traduz-se na forma como estamos presentes e disponíveis para as nossas pessoas: colaboradores, clientes, prestadores e fornecedores. O Dinamismo reflete-se na energia e determinação com que procuramos fazer sempre mais e melhor. Já a Smplicidade orienta-nos para soluções claras e acessíveis, sobretudo em momentos que são, por natureza, complexos.

Este ambiente cultural tem impacto direto no desempenho: colaboradores mais envolvidos e alinhados tendem a ser mais colaborativos, resilientes e orientados para a excelência. A aposta consistente na escuta ativa, no desenvolvimento contínuo e no reconhecimento contribui para equipas mais comprometidas e, consequentemente, para melhores resultados.

Cultura organizacional no setor da saúde

2. Num setor como o da saúde, onde a confiança e a qualidade de serviço são determinantes, de que forma a cultura organizacional influencia a experiência do cliente e o posicionamento da organização no mercado?

A cultura interna reflete-se inevitavelmente na experiência externa. Para além da preocupação da qualidade técnica dos nossos Prestadores, fatores como a empatia, a confiança e a consistência do serviço dependem da forma como as pessoas vivem a cultura da organização.

Na Medicare, o Foco no cliente é um valor central: a nossa prioridade é oferecer a mais alta qualidade e satisfação. Este princípio, combinado com a Proximidade e a Simplicidade, permite-nos criar experiências mais humanas, acessíveis e consistentes.

Colaboradores que se sentem apoiados e alinhados com estes valores tendem a replicá-los na relação com os clientes. Assim, a cultura interna torna-se um verdadeiro diferencial competitivo, reforçando a confiança, a credibilidade e o posicionamento da organização no mercado.

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3. Sendo responsável pela área de People & Wellbeing, que fatores considera críticos para construir e manter uma cultura organizacional consistente, garantindo o equilíbrio entre o cuidado das pessoas e as exigências do negócio?

A construção de uma cultura sólida exige intenção e consistência. Destaco alguns fatores-chave:

  • Liderança exemplar e alinhada, capaz de traduzir valores em comportamentos concretos;
  • Clareza de propósito e valores, que orientem as decisões e o dia a dia;
  • Comunicação transparente, fundamental para criar confiança;
  • Reconhecimento e desenvolvimento, valorizando o contributo das pessoas;
  • Equilíbrio entre exigência e cuidado, essencial para uma cultura sustentável;
  • O papel da área de People & Wellbeing é precisamente garantir este equilíbrio, criando condições para que o desempenho e o bem-estar coexistam de forma integrada e sustentável.
Expectativas dos colaboradores nas organizações em Portugal

4. Num contexto de transformação do mundo do trabalho (novas expectativas das pessoas, work-life balance, saúde mental, modelos híbridos), como têm as organizações em Portugal vindo a evoluir ao nível da sua cultura? Que desafios e oportunidades identifica?

Nos últimos anos, as organizações em Portugal têm vindo a dar passos importantes na valorização da cultura organizacional. Temas como o bem-estar, a saúde mental, o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e a flexibilidade tornaram-se prioridades estratégicas.

“As organizações que investem numa cultura forte conseguem reforçar a sua marca empregadora, atrair e reter talento e estimular ambientes mais inovadores e inclusivos.”

Catarina Real,Head of People & Wellbeing na Medicare

No entanto, persistem alguns desafios, nomeadamente a capacidade de transformar intenção em prática consistente, gerir modelos híbridos mantendo proximidade, alinhamento, produtividade, e responder à diversidade de expectativas dos diferentes perfis e gerações.

Ainda assim, as oportunidades são claras: as organizações que investem numa cultura forte conseguem reforçar a sua marca empregadora, atrair e reter talento e estimular ambientes mais inovadores e inclusivos.

5. Olhando para o futuro, que tendências ou prioridades considera críticas para reforçar a cultura organizacional como um verdadeiro fator de diferenciação e criação de valor nas organizações?

O futuro aponta para uma cultura cada vez mais assumida como um ativo estratégico.

Destaco algumas tendências relevantes:

  • Humanização das organizações, com maior foco na empatia e na experiência das pessoas;
  • Liderança consciente e inclusiva, preparada para contextos complexos e diversos
  • Integração do bem-estar na estratégia, como parte do modelo de gestão;
  • Cultura orientada a propósito, capaz de mobilizar e dar significado ao trabalho;
  • Gestão baseada em dados, para medir e evoluir a cultura de forma mais informada.

Mais do que nunca, a cultura deixará de ser um conceito abstrato para assumir um papel fundamental na criação de valor sustentável.

As organizações que souberem cuidar das suas pessoas, mantendo simultaneamente o foco no negócio, estarão mais bem preparadas para responder aos desafios de um contexto cada vez mais exigente e competitivo.

No futuro, as organizações mais competitivas não serão apenas as mais eficientes. Serão as que conseguirem criar ambientes onde as pessoas querem genuinamente ficar, crescer e contribuir.

Humanizar o trato fará a diferença.

Catarina Real, Head of People & Wellbeing, Medicare





Catarina Real
Head of People & Wellbeing
Medicare

Catarina Real é Head of People & Wellbeing na Medicare, com mais de 25 anos de experiência no setor corporativo. Ao longo do seu percurso, destacou-se nas áreas de Recursos Humanos e Comercial, com forte presença no setor bancário, onde assumiu responsabilidades na gestão e desenvolvimento de talento, dinamização de equipas e gestão de clientes empresariais.
Paralelamente, tem atuado como coach e consultora, apoiando o desenvolvimento individual e coletivo e a implementação de programas de capacitação e performance.
É pós-graduada em Neurociências do Consumo e em Economia Social e Solidária. Apaixonada pelo desenvolvimento pessoal e organizacional, valoriza a partilha, a diversidade e o impacto do voluntariado e do associativismo como motores de transformação social e de construção de comunidades mais sustentáveis.

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Gabriela Teixeira

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