HR for Business – 8.ª Edição

O papel da cultura como pilar estratégico: entre identidade organizacional e capacidade de transformação

O papel da cultura como pilar estratégico: entre identidade organizacional e capacidade de transformação
  • Maio 27, 2026

A cultura organizacional é hoje amplamente reconhecida como um fator central na construção da identidade e da sustentabilidade das organizações.

Num contexto marcado por transformações contínuas no mundo do trabalho, torna-se cada vez mais relevante compreender que pilares moldam o ADN organizacional e como estes se traduzem em comportamentos, práticas e experiências vividas pelas pessoas no dia a dia.

Na 8.ª edição da HR for Business, equipa de Workforce da PwC entrevistou Jorge Almeida, Presidente da Comissão Executiva do BAI Cabo Verde, para partilhar a sua visão sobre a forma como a cultura organizacional contribui para a construção da identidade, o alinhamento das equipas e a capacidade de adaptação das organizações num contexto de mudança.

A sua perspetiva evidencia a importância de uma cultura vivida de forma consistente, traduzida em comportamentos, práticas e liderança, e reforça o seu papel enquanto ativo estratégico, capaz de sustentar a evolução do negócio sem perder a sua essência.

1. Na sua perspetiva, que papel assume a cultura organizacional na construção da identidade das organizações em Cabo Verde? Que valores, práticas ou comportamentos considera verdadeiramente distintivos do seu “ADN” organizacional?

A cultura organizacional assume um papel central na construção da identidade do Banco, funcionando como um elemento agregador que orienta comportamentos, decisões e a forma como nos relacionamos internamente e com os clientes.

No contexto do BAI Cabo Verde, a cultura tem vindo a ser trabalhada como um pilar estratégico, assente em valores como proximidade, responsabilidade, rigor, respeito, cordialidade, colaboração e orientação para resultados, sem desprimor a manutenção dos princípios e valor do Grupo BAI. 

Estes valores materializam-se em práticas concretas e em iniciativas desenvolvidas ao longo do ano, com vista ao reforço e consolidação do ADN do Banco BAI Cabo Verde, promovendo uma cultura consistente, partilhada e alinhada com os objetivos estratégicos da Instituição.

Práticas no contexto cabo-verdiano

2. Na sua experiência, o que é determinante para que a cultura organizacional — esteja ou não formalmente definida — seja efetivamente vivida e partilhada pelas pessoas no quotidiano das organizações? Que práticas ou dinâmicas se revelam mais relevantes no contexto cabo‑verdiano?

A experiência diz-me que o fator determinante para a efetivação da cultura organizacional assenta na definição clara das políticas, normas e valores do Banco. Mas, mais do que a sua formalização, o que torna a cultura organizacional efetiva é a sua vivência consistente no quotidiano, dentro e fora da organização.

No BAI Cabo Verde, temos vindo a aprofundar no sentido de assegurar que a cultura organizacional se traduz em comportamentos observáveis e expectativas claras, estando integrada em processos-chave, como a avaliação de desempenho, o desenvolvimento de lideranças e as iniciativas de desenvolvimento pessoal e profissional. Adicionalmente, é reforçada através de iniciativas internas, nomeadamente workshops, sessões de sensibilização e dinâmicas de equipa, que promovem a apropriação dos valores organizacionais.

No contexto cabo-verdiano, onde a dimensão relacional é particularmente relevante, destacam-se práticas que promovem a proximidade, a comunicação aberta e o reconhecimento, elementos essenciais para consolidar uma cultura organizacional forte, partilhada e sustentável.

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3. De que forma a liderança — tendo em conta as dinâmicas culturais e relacionais próprias de Cabo Verde — contribui ativamente para moldar, reforçar e transmitir a cultura organizacional no quotidiano das equipas?

A liderança sem dúvida, que assume um papel fundamental na sua materialização da cultura organizacional. Mais do que comunicar valores, cabe aos líderes vivê-los no dia a dia, através das suas atitudes, decisões e forma de se relacionarem com as equipas, dando assim o exemplo fundamental a toda organização.

Num contexto como o de Cabo Verde, onde a dimensão relacional é particularmente valorizada, a liderança assume um papel ainda mais próximo e humano, sendo determinante para criar relações de confiança, alinhar e mobilizar as equipas, promover um ambiente de colaboração, respeito e compromisso.  

“A cultura deve ser entendida não apenas como um fator de estabilidade, mas também como um verdadeiro motor de transformação, capaz de acompanhar e de se adaptar de forma permanente à transformação digital e à evolução do negócio, sem perder a sua essência.”

Jorge Almeida,Presidente da Comissão Executiva do BAI Cabo Verde
Organizações em Cabo Verde - ADN Cultural

4. Num contexto de mudança constante (crescimento organizacional, transformação digital, novas expectativas das pessoas), como podem as organizações em Cabo Verde preservar o seu ADN cultural e, ao mesmo tempo, evoluir e adaptar‑se aos novos desafios?

Como referi anteriormente, o ADN cultural assume-se como um pilar estratégico, sendo a base sobre a qual o Banco tem vindo a sustentar a sua evolução. Neste contexto, o desafio não é escolher entre preservar ou evoluir, mas sim garantir uma evolução consistente com essa identidade.

Esse equilíbrio tem sido assegurado através de um alinhamento contínuo entre cultura e estratégia, do reforço das competências críticas, nomeadamente ao nível digital, do investimento no desenvolvimento de lideranças e da promoção de iniciativas que reforçam o engagement e o bem-estar dos colaboradores. Assim, a cultura deve ser entendida não apenas como um fator de estabilidade, mas também como um verdadeiro motor de transformação, capaz de acompanhar e de se adaptar de forma permanente à transformação digital e à evolução do negócio, sem perder a sua essência. 

5. Que mensagem considera importante deixar às organizações sobre o investimento na cultura organizacional como um ativo estratégico e diferenciador?

A cultura organizacional deve ser encarada como um dos maiores ativos das organizações, ao mesmo nível de outros ativos financeiros, sendo determinante para a sustentabilidade do negócio.

Mais do que um elemento intangível, a cultura influencia diretamente a capacidade de execução, nível de produtividade e no alinhamento das equipas. Quando bem consolidada, torna-se um elemento estruturante que orienta a organização, mesmo em contextos de mudança e incerteza.

Assim, as organizações que encaram a cultura como um ativo estratégico e investem de forma consistente na sua consolidação estarão melhor preparadas para se adaptar, inovar e prosperar num ambiente cada vez de mais, incertezas, exigente e competitivo. 

Jorge Almeida, Presidente da Comissão Executiva, BAI Cabo Verde





Jorge Almeida
Presidente da Comissão Executiva
BAI Cabo Verde

Jorge Manuel da Silva e Almeida construiu uma carreira sólida nos setores bancário, financeiro e empresarial, com mais de três décadas de experiência profissional em Angola, Portugal e Cabo Verde. Licenciado em Gestão de Empresas pela Universidade Internacional de Lisboa, desenvolveu um percurso marcado por funções de elevada responsabilidade em instituições financeiras e empresariais.

Iniciou a sua carreira no setor financeiro no Banco de Fomento Angola e no Banco BIC, integrando posteriormente o Banco Angolano de Investimentos (BAI), onde desempenhou cargos como Subdiretor da Direção de Crédito, Diretor da Direção Comercial e Diretor Coordenador. Paralelamente, exerceu funções de liderança em diferentes setores, destacando-se como Presidente da Comissão Executiva da Griner Engenharia, do Banco BAI Microfinanças e do Shopping Fortaleza, bem como Administrador não Executivo da seguradora NOSSA Seguros.

Desde 2023, é Presidente da Comissão Executiva do Banco BAI Cabo Verde, com o pelouro do Capital Humano, dando continuidade a um percurso centrado na liderança estratégica, governação e desenvolvimento organizacional.

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Gabriela Teixeira

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