Entrevista – Liliana Vida Manjate

Liliana Vida Manjate – Programa "Girl Move"

Liliana Vida Manjate, Moçambicana, de 23 anos, Licenciada em Ensino de Português, aluna finalista da "Academia de liderança e empreendedorismo Social" da "Girl Move Foundation" desde junho de 2015.


Como descobriste o programa "Girl Move"? O que te levou a integrar o programa?

Descobri o programa "Girl Move" através da Associação dos estudantes da Universidade da qual eu fazia parte.

A direcção da "Girl Move" entrou em contato com a AEUPN (Associação dos Estudantes da Universidade Pedagógica de Nampula) e marcou um encontro com todas as mulheres membros da associação. Participei no encontro e apaixonei-me pelo trabalho que faziam no projecto "mwarusi-Mwarusi", que em língua local significa "rapariga que ainda não é mulher" – e pelo programa avançado de liderança e empreendedorismo social. Candidatei-me para participar do programa nos finais de 2014 e, depois das entrevistas, fui apurada em meados de 2015.


O que mudou em ti depois de teres feito parte deste programa?

Este programa contribuiu muito para a pessoa que sou hoje. Com o programa avançado em liderança e empreendedorismo social, composto por três fases "l Believe, l Lead, l Change", trabalhei o meu desenvolvimento pessoal enquanto integrante da sociedade moçambicana, enquanto profissional e mulher líder de referência na minha comunidade. Acredito no potencial transformador deste programa e acredito também que, com ele, consigo ajudar outras mulheres a acreditarem nelas mesmas e no potencial que possuem.

A "Girl Move" deu-me fortes ferramentas para descobrir o meu potencial, pois o auto conhecimento é a base para conhecer outras pessoas, dar oportunidades e liderar em prol do outro,  contribuindo para o desenvolvimento do meu país e influenciando outras mulheres moçambicanas a acreditarem que podem fazê-lo. Este processo cria, assim, um efeito multiplicador, acreditando, acima de tudo, no mote: “Educar uma mulher é Educar uma nação”.


Como recebeste a notícia de que virias estagiar na PwC?

A primeira coisa que fiz assim que recebi a proposta de estagiar na PwC foi investigar a empresa: procurar saber o que fazia, como fazia, e quando descobri que era uma das melhores firmas de consultoria, auditoria e fiscalidade em Portugal e no mundo todo, fiquei em pânico porque não encontrei um enquadramento para mim e nenhuma informação sobre o departamento ligado à comunicação, que é a minha área de interesse. Porém, fiquei muito feliz por saber que trabalharia com muitas pessoas diferentes de mim e que teria uma nova experiência numa firma com a dimensão da PwC. A partir desse momento, não via a hora de estar na firma, conhecer o grande trabalho que fazem e, acima de tudo, absorver o máximo de informação possível.
 


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Como foste recebida na PwC?

Confesso que tive receio ao entrar na firma, porque é uma empresa enorme, com todos os funcionários vestidos a rigor e pensei para comigo mesma que eram pessoas muito sérias e que talvez não tivesse espaço para soltar a extroversão que há em mim.

Depois de conhecer o departamento de comunicação senti a diferença, pois receberam-me muito bem, senti conforto por saber que havia pessoas muito sorridentes e dispostas a ajudar no que fosse necessário, proporcionando-me assim a melhor experiência de sempre.

Percebi então que por detrás de toda a seriedade existem pessoas muito boas e simpáticas. Posso garantir que tive a melhor receção que podia ter imaginado. O facto de estar tudo programado para os dias em que estaria a estagiar na firma deixou-me muito feliz, pois eu sabia que as pessoas estavam preparadas para me receber e que estavam organizadas de forma a que garantissem que eu teria uma experiência diferente e muito completa. Gostei muito de conhecer a firma logo no primeiro contacto que tive. Acredito que é uma experiência que me vai valer a vida toda.


O que aprendeste nestes dias que estiveste a estagiar na PwC? Como foi a experiência?

Gostei imenso e acho que deveria ficar mais um ano a estagiar na firma, de tanto conteúdo bom que tenho aprendido relativamente à gestão da comunicação interna e externa e o funcionamento numa visão mais generalizada. Tenho aprendido imensos conteúdos bons, alguns totalmente novos. Foi uma experiência única em toda a minha vida e estou muito feliz e grata por essa oportunidade que a "Girl Move" e a PwC me proporcionaram.

Tudo o que tenho aprendido  aplica-se de forma muito relacionada – "comunicação no seu todo" –
e tenho a certeza que sairei daqui com muita bagagem em termos de conhecimento para implementar no mercado de emprego em Moçambique ou em qualquer parte do mundo. Quem sabe até ganhar  inspiração para abrir um projeto pessoal!


Voltarias a repetir? Recomendarias a PwC a alguém que estivesse a frequentar o mesmo programa?

Eu não só voltaria a repetir como já quero repetir! Esta equipa é muito profissional e a entreajuda entre eles no trabalhos ou atividades a realizar é impressionante. Recomendaria a PwC a todas as mulheres que estivessem a fazer parte do programa e que se interessassem por algumas das área na qual a firma trabalha, pois nunca se está sem fazer, aprender ou experienciar algo. É uma aprendizagem constante, recheada de muito conteúdo, que te permite tornares-te numa pessoa muito profissional e preparada para enfrentar desafios futuros.


De que forma esta experiência muda o teu futuro? O que perspetivas para o futuro?

É uma experiência bastante proveitosa para mim, porque é uma mais-valia para realçar o meu currículo. Mas, mais importante do que ter um currículo recheado, são os momentos que estive a aprender e a lidar com situações de trabalho, adversas à minha realidade. Uma experiência, tal como já realcei várias vezes acima, que me fará crescer pessoal e profissionalmente, que me vai pôr a par de diferentes realidades e que me proporcionará uma disposição diferente para encarar novos desafios, sempre com o foco na profissional de sucesso que pretendo ser. E, claro, as pessoas que conheci ao longo do estágio com as quais gostaria de manter contacto.

Um dia eu fui uma "mwarusi-rapariga", dos 10-17 anos, e não tive a oportunidade de ter uma mentora que me ensinasse uma outra perspetiva de vida e me apoiasse na minha educação, mas hoje eu tenho a possibilidade de dar essa oportunidade às mwarusis da minha comunidade e do meu país, ajudá-las a encontrar o seu verdadeiro caminho e a viver a melhor versão delas próprias para transformar o mundo. Essa é uma das diferenças que quero causar no mundo – torná-lo mais humano.

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