Nos próximos meses, o mercado de trabalho continuará a transformar-se de forma acelerada, e tal como nos últimos dois anos, a Inteligência Artificial (IA) – e, especificamente, a IA Genarativa (GenAI) – será o principal motor da mudança.
Cada vez mais empresas estão a usar estas tecnologias para automatizar tarefas repetitivas. Esta tendência pode levar a reestruturações em certos setores, mas também possibilita a criação de novas funções e um maior foco em tarefas mais criativas e estratégicas. Ou seja: a tecnologia não significa necessariamente uma perda líquida de empregos, mas sim uma evolução de determinadas funções.
A produtividade continuará a ser uma exigência crescente do mercado: neste contexto, a receita para o sucesso passa em grande medida por programas de capacitação e formação nas novas tecnologias que estão a moldar as operações e negócio das organizações nacionais.
O Global Workforce Hopes and Fears Survey 2025 da PwC indica que o impacto da IA está a crescer e que o otimismo relativamente ao seu potencial supera largamente a ansiedade. Este estudo, um dos maiores do mundo, com quase 50.000 participantes de 28 setores em 48 economias importantes, mostra também que o uso diário ainda é relativamente baixo: ou seja, os líderes têm grandes oportunidades para estimular a motivação e acelerar a reinvenção e o crescimento.
O otimismo em relação ao futuro das suas funções é o principal fator de motivação para os trabalhadores, mas pouco mais de metade (53%) estão fortemente otimistas – e esse otimismo é muito mais prevalente em setores numa fase de adoção mais avançada, como a banca e a tecnologia, do que em indústrias ainda no início como o comércio e o retalho.
Este contexto multifacetado é um desafio para a gestão, e torna essencial a construção de um ambiente de confiança, adaptação à mudança, e motivação para evoluir.
A motivação dos colaboradores aumenta quando se sentem seguros e encontram significado no seu trabalho. Estes fatores culturais são tão importantes quanto a tecnologia, a flexibilidade do trabalho remoto ou híbrido e as competências necessárias para manter a performance e impulsionar a inovação, especialmente num ambiente de incerteza e mudança acelerada. O estudo da PwC revela que os colaboradores com níveis mais elevados de segurança psicológica estão 72% mais motivados do que aqueles que se sentem menos seguros.
Para reinventar as suas empresas à medida que a IA acelera e os focos de valor se deslocam, os líderes precisam de garantir que as suas equipas se sintam à vontade para expressar opiniões, experimentar e aprender com os erros. Contudo, isto está longe de ser a norma no ambiente de trabalho atual: apenas 56% dos trabalhadores afirmam sentir que é seguro experimentar novas abordagens, e só 54% dizem que a sua equipa vê os erros como oportunidades para aprender e melhorar.
O desafio da liderança não passa apenas por implementar IA, mas por garantir que os trabalhadores se sintam preparados, motivados e alinhados para a adotar. A nossa sondagem mostra que a motivação é mais forte quando os colaboradores veem um futuro para si próprios e têm acesso a oportunidades de aprendizagem; confiam na gestão e nas suas prioridades; encontram significado, segurança psicológica e emoções positivas no trabalho; e sentem-se recompensados financeiramente.
Estas não são prioridades novas, mas tornam-se ainda mais importantes à medida que os líderes procuram energizar as suas equipas para o futuro do trabalho. Com confiança, clareza e apoio cultural, a incerteza de hoje pode transformar‑se na prontidão para a IA de amanhã.
O Global Workforce Hopes and Fears Survey 2025 revela também que uma grande parte dos trabalhadores valoriza a flexibilidade proporcionada pelo teletrabalho e pelo modelo híbrido. De facto, cerca de 70% dos entrevistados indicam que gostariam de continuar a ter algum tipo de trabalho remoto, destacando benefícios como melhores condições de equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e menor tempo perdido em deslocações.
Por outro lado, o estudo mostra que a presença no escritório continua a ser importante para muitos trabalhadores, sobretudo para atividades que envolvem criatividade, colaboração e construção de cultura empresarial. Assim, embora o regresso total ao escritório seja pouco provável, o modelo híbrido – que combina trabalho remoto e presencial – tende a consolidar-se ainda mais em 2026.
Além disso, o relatório destaca que empresas que adotam estes modelos flexíveis apresentam maior capacidade para atrair e reter talento, especialmente entre as gerações mais jovens. A tecnologia não só viabiliza este novo modelo de trabalho, como também melhora as formas de comunicação e colaboração, fator essencial para o sucesso das equipas distribuídas.
Segundo dados do Eurostat divulgados no final de 2025, 38.7% da população portuguesa (entre os 16 e os 74 anos) utilizou ferramentas de GenAI nos últimos três meses, acima dos 32.7% da média da UE e de países como Espanha (37.9%), França (37.5%) e Alemanha (32.3%). Contudo, o cenário empresarial é inverso. Apesar de algum progresso em 2025, Portugal permanece bem abaixo da média europeia na adoção de ferramentas de IA nos negócios. Apenas 11.54% das empresas com mais de dez trabalhadores utilizam tecnologias de IA, face a 20% na média da UE.
Estes dados indicam que a adoção nas organizações nacionais já começou, mas a diferentes velocidades: as grandes empresas têm já em curso planos estratégicos de transformação da sua operação com recurso a IA, enquanto as de menor escala estão a adotar a tecnologia de forma mais informal e, frequentemente, insegura. Por exemplo, ao não estabelecer uma política de IA responsável ou permitir aos colaboradores utilizarem contas pessoais em soluções de IA, que não salvaguardam a confidencialidade da informação partilhada.
Este contexto aponta para uma necessidade crescente de políticas públicas e capacitação do talento que permita salvaguardar a nossa competitividade internacional. Em breve, a IA deixará de ser um diferenciador, tornando-se um fator crítico de sobrevivência.
Apesar das dificuldades, há sinais de avanço: o 29.º CEO Survey da PwC mostra que quase um terço dos CEO portugueses (30%) já registou aumento de receita associado à IA nos últimos 12 meses, e 24% observaram redução de custos – evidências de que a tecnologia começa, gradualmente, a gerar valor. O facto de a maioria (56%) ainda não registar melhorias nos custos e nas receitas confirma que Portugal permanece numa fase inicial da captura de benefícios: o investimento antecede o retorno.
Na PwC, sentimos as empresas cada vez mais confiantes nas potencialidades da tecnologia e mais cientes da necessidade de literacia e formação, até devido ao Regulamento sobre Inteligência Artificial ("AI Act"), que entrou parcialmente em vigor em agosto de 2025 e será aplicado de forma mais abrangente durante este ano.
Efetivamente, nos projetos com os nossos clientes, temos verificado que soluções como o Microsoft Copilot ou o ChatGPT têm tido um impacto muito material na produtividade individual, com poupanças temporais médias de 74%, e melhorias na qualidade do output em 53% dos casos reportados, dependendo das organizações e funções.
Por isso, na PwC, estamos otimistas quanto a uma aceleração da adoção material em 2026, não só nas grandes empresas, mas crescentemente também no universo das PMEs, algumas impulsionadas pelos programas de financiamento público: alguns já em curso como a "Linha IA para PMEs", outros que virão na sequência da nova Agenda Nacional de Inteligência Artificial.
É natural existir um desfasamento entre a ambição e a adoção efetiva da Inteligência Artificial. Trata-se de uma tecnologia inovadora e, ao mesmo tempo, significativamente dinâmica e complexa, que exige tempo para a devida compreensão pelos gestores, formação das equipas operacionais e adaptação dos processos e tecnologias pré-existentes.
Mesmo assim, estes primeiros impactos positivos indicam que a IA já está a produzir efeitos reais no negócio e a abrir caminho para ganhos mais consistentes nos próximos anos.
Em suma, 2026 vai ser um ano marcado pela convergência entre pessoas e tecnologia – em particular, a Inteligência Artificial –, uma combinação que abre novas oportunidades para o futuro do trabalho. Quem estiver disponível para aprender, adaptar-se e encarar o trabalho de uma forma mais equilibrada vai conseguir aproveitar melhor estas oportunidades.
O mundo está a passar por momentos de muita incerteza: económica, política, social. Para prosperarem, as empresas terão de ser rápidas a redefinir estratégias, flexíveis a reorganizar o trabalho das equipas, e responsáveis na integração da tecnologia.
Com confiança, cultura de aprendizagem e clareza sobre as mudanças no local de trabalho numa era de IA, os líderes podem aumentar a motivação dos colaboradores ao mesmo tempo que impulsionam a reinvenção e o crescimento.
Definir uma visão estratégia clara para a adoção de IA no negócio e operação;
Estabelecer regras internas de IA responsável e disponibilizar ferramentas de produtividade aos colaboradores-chave;
Dinamizar programas de capacitação prática dos colaboradores, adaptadas a cada função;
Implementar 3-5 soluções corporativas de IA, priorizando casos de impacto elevado e investimento controlado;
Medir impacto e comunicar resultados reforçando significado, reconhecimento e confiança na gestão.
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