Sustentabilidade na cadeia de fornecedores

Numa economia global, com cadeias de valor cada vez mais complexas e sujeitas a diversos fatores externos, aumentar a eficiência das mesmas, assegurar a continuidade das atividades de forma ininterrupta, acompanhar a evolução tecnológica e regulatória, minimizar os impactos negativos no ambiente e nas pessoas, e, em simultâneo, garantir a transparência sobre as mesmas, não são tarefas fáceis.

Uma cadeia de abastecimento sustentável integra fatores ambientais, sociais e de governação (ESG) em todas as fases da mesma, desde à extração e compra de recursos, à produção, abastecimento e a distribuição. 

Cadeias de abastecimento sustentáveis são mais estáveis, com maior capacidade para antecipar os desenvolvimentos regulamentares e reduzir os riscos reputacionais. É, portanto, fundamental que as estratégias de gestão da cadeia de abastecimento integrem preocupações ambientais, sociais e de governance.

 

A pressão sobre a gestão sustentável da cadeia de abastecimento está a aumentar

Há três fatores fundamentais que estão a intensificar a pressão sobre as organizações para tornarem as suas cadeias de valor mais sustentáveis:

  • Consumidores exigem cada vez mais “produtos responsáveis”, sendo a confiança um fator crítico para o sucesso de uma marca.
  • Investidores e analistas consideram cada vez mais os riscos sociais e ambientais nas suas avaliações.
  • Desenvolvimentos regulamentares incluem o foco na due diligence corporativa.

Diretiva de Due Diligence de Sustentabilidade

A Diretiva de Due Diligence de Sustentabilidade Corporativa (CSDDD) tem como propósito garantir que as empresas que operam na União Europeia assumem a responsabilidade sobre os impactos nas pessoas e no ambiente decorrentes quer das suas operações próprias, quer das suas relações de negócio ao longo da cadeia de valor, gerindo-os devidamente. 

Para isto, as empresas terão de desenvolver e implementar um processo de due diligence ao longo da sua cadeia de valor, identificando potenciais riscos e impactos, como violações dos direitos humanos, poluição ambiental e corrupção. De forma geral, as empresas devem:

Identificar, avaliar e priorizar os impactos adversos reais ou potenciais nos direitos humanos e no ambiente

Identificar, avaliar e priorizar os impactos adversos reais ou potenciais nos direitos humanos e no ambiente, com base em fatores de risco e relevância;

Prevenir e mitigar os impactos potenciais e eliminar ou minimizar os impactos reais, através de medidas adequadas e/ou exercendo influência sobre os parceiros comerciais;

Monitorizar, acompanhar e comunicar publicamente a eficácia das ações de due diligence; e 

Integrar uma governação eficaz, incluindo uma política de due diligence, um mecanismo de reclamações, a participação das partes interessadas e a supervisão do processo.

O Pacote Omnibus, publicado a 26 de fevereiro de 2026 no Jornal Oficial da União Europeia (UE), contempla alterações ao âmbito das entidades sujeitas à CSDDD. Passam assim a estar abrangidas por esta Diretiva:

Entidades da UE com:

  • mais de 5.000 colaboradores; e

  • mais de 1,5 mil milhões de euros de volume de negócios.

Entidades não pertencentes à EU:

  • com um volume de negócios superior a 1,5 mil milhões de euros na EU.

Além das alterações ao âmbito das empresas abrangidas, a Diretiva Omnibus elimita a obrigatoriedade de adotar ou implementar planos de transição para a mitigação das alterações climáticas, ainda que ao abrigo dos European Sustainability Reporting Standards (ESRS), continuem a ser solicitadas informações sobre os mesmos. 

Com a implementação do Pacote Omnibus, o prazo para a transposição da CSDDD foi prorrogado até 26 de julho de 2028, sendo a sua aplicação obrigatória a partir de 26 de julho de 2029.

 

 

Como podemos ajudar?

Apoiamos a sua organização na gestão da cadeia de abastecimento, integrando as questões de sustentabilidade

  • Analisar iniciativas, mecanismos, políticas e procedimentos existentes na sua cadeia de abastecimento, para compreender o atual nível de maturidade da sua organização.

  • Benchmarking, comparando as suas práticas e nível de maturidade com as melhores práticas de mercado, tanto a nível local como global, e com os requisitos regulatórios e de clientes.

  • Estabelecer a abordagem estratégica para assegurar a gestão das questões ESG na cadeia de abastecimento, adaptada à realidade da sua organização. 

  • Criar políticas e procedimentos formais que suportem esta abordagem.

  • Conceber um framework e uma matriz de riscos para identificar, categorizar e avaliar os riscos de sustentabilidade dentro da sua cadeia de abastecimento.

  • Desenvolver e implementar ações de mitigação e planos de resposta para fazer face aos riscos de sustentabilidade, particularmente nos fornecedores de alto risco.

  • Calcular a pegada de carbono, em particular as emissões de âmbito 3 nas categorias relevantes, para determinar a contribuição total das emissões provenientes dos fornecedores.

  • Estabelecer processos e, se necessário, aplicar novos sistemas tecnológicos para recolher os dados necessários ao cálculo das emissões de âmbito 3.

  • Desenvolver um roteiro de descarbonização das emissões dos fornecedores, com horizontes de curto, médio e longo prazo, para a apoiar os objetivos de redução de emissões da sua organização.

  • Desenvolver e implementar processos de envolvimento com a cadeia de valor, incluindo capacitação, desenvolvimento de ferramentas de monitorização e apoio no alinhamento com metas e objetivos de descarbonização. 

  • Análise de diagnóstico para identificar oportunidades de melhoria nas atuais práticas de economia circular da sua organização, com foco na eliminação de resíduos e poluição, na circularidade de produtos e materiais.

  • Desenvolver uma estratégia e um plano de ação para implementar os princípios de economia circular nas atividades e processos essenciais do seu negócio.

Desenvolver um mecanismo operacional de queixas e um processo para recolha e tratamento de denúncias por parte dos diversos stakeholders, incluindo procedimentos para correção e resolução das mesmas.

Case Studies
Transformação estratégica com impacto ambiental e social positivo

Case Study - Corticeira Amorim
Análise de Ciclo de Vida comparativa com produtos alternativos
Corticeira Amorim

Num ambiente de crescente agressividade de produtos substitutos, o nosso cliente tinha como finalidade a construção de uma argumentação sólida que evidenciasse as vantagens em termos de pegada ambiental dos seus produtos face à concorrência.

O que fizemos?

Realizámos um estudo do tipo “Análise de Ciclo de Vida” de acordo com as normas ISO 14040 e 14044, no qual foram quantificados os impactes ambientais dos diferentes produtos concorrentes em diferentes mercados relevantes para o cliente (França, Alemanha, Reino Unido, Austrália, Argentina e E.U.A.), tendo em conta diferentes cenários de fim de vida para o produto.

Case Study - Setor mobiliário
Empresa do setor do mobiliário

O nosso cliente tem definidas regras ambientais e sociais exigentes para os seus fornecedores, sendo o cumprimento das mesmas regularmente avaliado através da realização de auditorias externas.

O que fizemos?

Realizámos auditorias externas a fornecedores, para avaliação do cumprimentos dos requisitos definidos para fornecedores, ao nível social e ambiental.

Na PwC, que valor criamos através do ESG?

Saiba como podemos ajudar na implementação de uma estratégia alinhada com os objetivos do ESG.

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Cláudia Coelho

Cláudia Coelho

Sustainability and Climate Change Partner, PwC Portugal

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