Os desafios das empresas portuguesas na priorização dos ODS e no relato não-financeiro 2017

As empresas desempenham um papel crítico para ajudar a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. O que nos dizem os seus relatórios, acerca do atual nível de compromisso para com estes objetivos globais?

Como podemos fazer com que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas sejam centrais para os nossos negócios?

Essa é a pergunta que todas as empresas deveriam estar a fazer, dada a relevância que os ODS poderão vir a ter na próxima década.

Todos os países, membros das Nações Unidas, se comprometeram a implementar os 17 ODS, mas as questões que os objetivos abordam abrangem, também, preocupações sentidas por uma sociedade cada vez mais globalizada e que procura agora consciencializar as empresas de que as suas ações têm, de facto, um impacto no mundo.

Enquanto canal oficial de comunicação, para o relato das operações e o desempenho de um negócio, é difícil sobrestimar a relevância que os relatórios, financeiro e de sustentabilidade irão desempenhar no benchmarking dos ODS. O relato corporativo continua a ser o último patamar de responsabilidade para a maioria dos stakeholders, tanto internos como externos.

Assim, será essencial um relato que compreenda, tanto a relevância dos ODS específicos para o negócio, como a forma de os referenciar com precisão, para tornar os objetivos um sucesso.
Até que ponto é que isso já está a acontecer? Que trabalho adicional deve ser feito?

Muitas empresas ainda estão no início da sua jornada no que respeita aos ODS. Podemos dizer que existe um compromisso, ainda incipiente, por parte empresas.

Tomar as decisões estratégicas necessárias para fazer frente aos 17 objetivos e 169 metas e decidir como os relatar nem sempre é uma tarefa fácil.

  • 43% das empresas portuguesas analisadas consideraram que os ODS eram suficientemente importantes para os mencionar nos seus relatórios financeiros ou de sustentabilidade
  • 17% das empresas portuguesas analisadas mencionaram os ODS sem, contudo, estabelecerem qualquer prioridade
  • Mais de metade das empresas a nível nacional (57%) não mencionou, de todo, os ODS no seu relato. 
As empresas que estabelecem prioridades tendem a ter melhores resultados
As empresas estão a priorizar os ODS que consideram mais relevantes nos seus negócios
  • Os ODS8 (Trabalho Digno e Crescimento Económico), ODS12 (Produção e Consumo Sustentável) e ODS13 (Ação Climática), são os três objetivos mais frequentemente selecionados pelas empresas, tanto em Portugal, como a nível global;
  • Muitos dos indicadores associados a estes objetivos já são regularmente relatados pelas empresas;
  • Nenhuma das empresas portuguesas selecionou o ODS6 (Água Potável e Saneamento) como uma prioridade.

 

A consideração por parte das empresas das opiniões sociais está a assumir um papel cada vez mais relevante. O nosso inquérito aos cidadãos revelou que o ODS2 (Erradicar a Fome), o ODS1 (Erradicar a Pobreza) e o ODS6 (Água Potável e Saneamento) são os objetivos que estes consideram mais importantes. No entanto, é com preocupação que se conclui que estes estão entre os ODSs menos priorizados pelas empresas.

As empresas vão ter, da mesma forma, que ter em consideração as prioridades estabelecidas pelos governos dos países em que operam, uma vez que muito provavelmente irão ter um impacto nas políticas e na regulação nessas geografias.

Para que as empresas compreendam na íntegra e, efetivamente, comuniquem a sua contribuição para os ODS, são necessárias métricas consistentes para as relatar. A nossa análise revelou que as empresas ainda apresentam relatórios muito baseados em declarações descritivas, com muito poucas metas que possam ser medidas ou vinculadas a valores sociais. 

  • Os indicadores de negócio ‘Temas ambientais, sociais e de governação (ESG) incluídos no modelo de Governo’, ‘Políticas para promoção de negócios justos’, ‘Programas de Educação e Impacto nos ecossistemas terrestres’ obtiveram os melhores resultados em termos da qualidade do relato;
  • As empresas que priorizaram os objetivos apresentaram relatos de melhor qualidade do que as que não o fizeram;
  • Muitas das empresas que priorizaram os ODS estão a relatar com métricas e metas numéricas, indo além de declarações simples de monitorização e gestão.

 

Porque devem as empresas envolver-se?
  1. Manutenção de uma licença para operar - definindo uma estratégia alinhada com as prioridades governamentais
  2. Alterações na Regulação - antecipando intervenções políticas destinadas a promover a concretização dos ODS
  3. Gestão de Risco – para reduzir os riscos associados à incapacidade de alcançar os ODS
  4. Grande Oportunidade - aproveitando as significativas oportunidades de crescimento em produtos e serviços que se alinham com os ODS.
  5. Reputação – agindo de forma a respeitar as comunidades dos territórios em que operam e preservando os ecossistemas dos quais dependem

 

“As empresas terão de saber avaliar o seu impacto sobre os ODS e rever as suas estratégias em conformidade, necessitando para tal de recolher e reportar novos dados, evoluindo também na sua forma de relatar.”

António CorreiaPartner da PwC Portugal

O desafio do relato não-financeiro

Cada vez mais, o relato financeiro obriga a integrar um conjunto de informação, para atender às crescentes expetativas dos stakeholders, esta vai muito para além dos dados financeiros, pelo que muitas empresas procedem à divulgação de informação não-financeira, através dos seus relatórios de sustentabilidade ou da integração desta visão nos seus relatórios de gestão.
 

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